Título: Com fama de durona, Leoa assume a Receita
Autor: Doca, Geralda; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 01/08/2008, Economia, p. 30

Mãe do humorista nordestino Mussão, a mineira Lina Maria Vieira substitui Jorge Rachid na chefia do órgão

Geralda Doca, Henrique Gomes Batista e Letícia Lins

BRASÍLIA e RECIFE. Primeira mulher a comandar a máquina de arrecadação federal, Lina Maria Vieira - que substituirá Jorge Rachid, demitido na noite de quarta-feira, após cinco anos e meio à frente da Receita Federal - é mineira apenas na procedência. Tradicional jeitinho de Belo Horizonte, onde nasceu, fica à vontade quando entra em ação no campo profissional. Aos 57 anos, tem fama de durona com as metas de fiscalização e arrecadação. Mal assumiu e já está sendo chamada de "Leoa", em alusão ao símbolo do Fisco. Não é um personagem, porém, de consenso. Sua indicação causou surpresa e dividiu opiniões. Os desafetos dizem que ela se destaca mais como mãe do humorista nordestino Mussão.

Ontem, o Diário Oficial da União publicou a exoneração de Rachid, que oficialmente ocorreu a pedido. Lina já tomou posse. Vaidosa, tem estilo diferente do antecessor, mais reservado e avesso à imprensa. Ela gosta dos holofotes e agrada à base da Receita - técnicos e auditores fiscais, esses últimos seus colegas de carreira.

Em site, auditores comemoram indicação

Eles saudaram sua nomeação e já anunciaram um encontro com ela na segunda-feira, para discutir a situação da categoria. O Sindicato dos Auditores Fiscais (Unafisco), em uma nota, fez questão de parabenizá-la.

O sucesso não se repete com o "pessoal das antigas", boa parte deles se despedindo da cúpula ou ex-integrantes de cargos importantes do Fisco. Para estes, Lina é tecnicamente fraca e tem um perfil mais político. Figuras da oposição, porém, consideram-na competente.

- Nos corredores da Receita, fala-se que ela é fraca. A área dela (4ª Região, que responde pelos estados Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas) está cheia de problemas - disse uma fonte.

Lina ocupou duas vezes o cargo de secretária de Tributação do Rio Grande do Norte, no qual desencadeou a campanha que incentivava a exigência de notas fiscais de comerciantes, indústrias e prestadores de serviço. A última vez foi na gestão de Wilma de Faria (PSB), que assumiu o governo em janeiro de 2006. No ano passado, porém, decidiu que estava na hora de retornar à Receita, onde ingressou em 1976.

À esta época, já mantinha boa relação com Rachid, do qual se aproximou quando foi coordenadora do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), entre dezembro de 2005 e maio de 2007. Lina tinha atuação de liderança nas reuniões e defendia interesses dos secretários estaduais, que tinham receio de perder receitas e se posicionavam contra a Lei do Supersimples, considerada uma revolução por beneficiar micro e pequenas empresas. Acabou conquistando sua confiança, o que lhe rendeu, em junho de 2007, o cargo de superintendente da 4ª região, no Nordeste.

Lina é formada em Direito pela Universidade Mackenzie, com especialização em Direito Tributário pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco. No governo Itamar Franco, foi delegada da Receita em Natal (RN), mas perdeu o cargo no início da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Seu primeiro compromisso público será hoje, quando divulgará a instrução normativa que acaba com a declaração de isento.

COLABOROU Cristiane Jungblut