Título: TRE do Rio diz ao TSE que não precisará do Exército
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 31/07/2008, O País, p. 5
Ayres Britto e Tarso defenderam ajuda de tropas federais para investigar milícias nas eleições, mas Wider descartou
Carolina Brígido
BRASÍLIA. Tropas militares poderão ser convocadas para reforçar o grupo especial criado para garantir a segurança das campanhas de candidatos no Rio. Ontem, em reunião no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a presença da Força Nacional de Segurança foi descartada. No entanto, a necessidade de convocação dos militares, defendida na reunião pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e pelo presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, será avaliada no próximo dia 11, no Rio, em novo encontro. Além de Britto e Tarso, participaram da reunião no TSE o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, Roberto Wider, e o diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.
Tarso: Polícia Rodoviária Federal ficará à disposição
Ayres Britto e Tarso Genro defenderam a presença de tropas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica no Rio para dar mais segurança à população e aos candidatos. Mas Wider não gostou da idéia e convenceu os ministros a esperar alguns dias para ver os resultados preliminares da força-tarefa. Inicialmente, atuarão na segurança de áreas dominadas por milícias e pelo narcotráfico as polícias Militar, Civil e Federal. Tarso também pôs à disposição o efetivo da Polícia Rodoviária Federal.
- Vamos aproveitar o processo eleitoral para fazer um mutirão, articulando as polícias do estado, a Polícia Federal e, se necessário, as Forças Armadas. Nós aqui do TSE temos o poder de requisitar força federal - lembrou Ayres Britto.
- O trabalho de inteligência que a PF está fazendo e vai continuar fazendo é fundamental para a garantia dos direitos democráticos no processo eleitoral. Nossa constatação é que, num primeiro momento, a Força Nacional de Segurança não precisa ser solicitada. Dentro de um prazo curto, verificaremos quais as demais necessidades para preservar os direitos das comunidades do Rio - disse Tarso.
Ayres Britto disse acreditar que as milícias e o narcotráfico poderiam ameaçar o processo eleitoral, se não houvesse resposta rápida das autoridades. Ele ressaltou a importância de garantir liberdade para os candidatos conduzirem suas campanhas, para os jornalistas fazerem a cobertura e para os eleitores decidirem sem coação.
- Esse risco de que segmentos fora da lei estejam a patrocinar candidaturas próprias, significando então boicote, violência contra candidaturas alheias, está existindo. É contra ele que estamos nos mobilizando. Todos nós juntos estaremos a postos para esclarecer a população, para que não se sinta coagida, ameaçada. Haverá segurança para o voto livre e consciente - afirmou Ayres Britto. - Temos como foco proteger a lisura do processo eleitoral e salvaguardar os direitos das comunidades que são coagidas, para que todos se sintam livres para votar. O voto é secreto. E dizer que a urna eletrônica não é segura é uma bravata para impressionar as pessoas.