Título: Votorantim prevê R$4,5 bi de ganho com Aracruz
Autor: Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 08/08/2008, Economia, p. 30

Acordo de aquisição de 28% foi fechado por R$2,7 bilhões

SÃO PAULO. O grupo Votorantim estima em R$4,5 bilhões os ganhos possíveis com sinergias se conseguir levar adiante seu plano de fusão da Votorantim Celulose e Papel (VCP) com a Aracruz. E deu importante passo nessa direção ao fechar, na quarta-feira, um acordo de compra, por R$2,71 bilhões, de 28% do capital da Aracruz pertencentes à Arapar S.A., holding do investidor norueguês Erling Lorentzen. Para sacramentar a compra e assumir o controle da Aracruz - da qual já tem 28% do capital -, encurtando o caminho para a fusão com a VCP, porém, o grupo comandado pela família Ermírio de Moraes depende dos irmãos Joseph e Moise Safra.

Sócios na Arainvest Participações, os Safra (com outros 28%) firmaram, em 2003, um acordo de acionistas que lhes dá preferência na aquisição das ações da Arapar. Com a formalização da oferta da Votorantim, os Safra agora têm 90 dias para decidir se compram a fatia de Lorentzen ou vendem suas ações (também por R$2,71 bilhões) à Votorantim, que ficaria com 84% das ações da Aracruz. O BNDES é outro grande acionista da Aracruz, com 12,5%.

Se os Safra optarem por comprar a parte da Arapar, assumindo o controle da Aracruz, as negociações mudam. Para levar adiante a fusão com a VCP, que criaria a maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo, a Votorantim já avisou que concorda em dividir o controle da nova companhia. Possibilidade que também está sendo considerada pelos Safra.

O valor de mercado da nova empresa é estimado em US$18,7 bilhões, com faturamento anual de US$3,2 bilhões. Considerando os planos de expansão já aprovados pelas empresas, em 2012 a companhia resultante da fusão teria capacidade de produzir oito milhões de toneladas de celulose anuais, muito à frente das principais concorrentes do setor.