Título: Horas antes, Rosinha tinha sido barrada
Autor: Franco, Bernardo Mello; Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 07/08/2008, O País, p. 3
Outras duas candidaturas à prefeitura de Campos também haviam sido impugnadas
CAMPOS (RJ) e BRASÍLIA. Horas antes da decisão do Supremo Tribunal Federal, a juíza Márcia Alves Succi, responsável pela Zona Eleitoral de Campos, aceitara pedido do Ministério Público Estadual e impugnara as três principais candidaturas na cidade - da ex-governadora Rosinha Garotinho (PMDB), de Arnaldo França Vianna (PDT) e de Paulo Feijó (PSDB). Essas candidaturas representam as mais fortes coligações partidárias.
O colegiado de seis promotores de Campos, que pediu a impugnação, se baseou no fato de que Rosinha Garotinho e Arnaldo Vianna respondem a processos por improbidade administrativa. A impugnação do ex-deputado Paulo Feijó teria sido pedida por irregularidades na formação de sua chapa. Os três candidatos, antes de saber da decisão do Supremo, anunciaram que iriam recorrer da decisão da juíza.
Segundo a advogada de Rosinha, Rosely Pessanha, a decisão em primeira instância já era esperada:
- Agora vamos correr ao Tribunal Regional. Se for mantida, vamos a Brasília - disse a advogada, antes de sair a decisão do STF.
Rosinha foi informada da decisão quando fazia corpo-a-corpo em Campos, onde ontem foi feriado municipal, e disse que a decisão já era de certa forma esperada:
- Acho que quem tem ficha suja deve ficar mesmo fora. Acontece que ficha suja para mim é quando o processo é transitado e julgado com condenação. Este não é meu caso. Tive minhas contas aprovadas como governadora, e os processos a que estou respondendo não se sustentam. A minha campanha continua.
O candidato do PDT, Arnaldo Vianna, que já foi prefeito da cidade e tem processos no Tribunal de Contas, informou que nada muda em sua campanha. Ele também vai recorrer da decisão em todas as instâncias. Paulo Feijó também recorrerá.
Com a decisão de ontem do Supremo, porém, todos devem poder manter suas candidaturas. Até ontem, em todo o Estado do Rio, a Justiça Eleitoral já havia vetado 21 candidatos a prefeito, sem incluir os de Campos, por fichas sujas ou outras irregularidades.
Congresso reage à decisão do STF, mas reconhece omissão
Em Brasília, dirigentes do Congresso reagiram ontem ao fato de o STF, mais uma vez, decidir sobre questões político-partidárias, mas reconheceram a omissão dos parlamentares na definição de regras mais claras sobre o processo eleitoral.
- Neste caso, houve certa omissão da Casa. Não teríamos o Judiciário interferindo nas nossas atribuições se já tivéssemos legislado sobre o tema. Não posso tapar o sol com a peneira - afirmou de manhã o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Na Câmara, o presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi mais incisivo na crítica à AMB, pela divulgação da lista dos candidatos com ficha suja. E cobrando mais agilidade do Judiciário nos julgamentos de suspeitos.