Título: Iris, o líder em Goiânia, dispensa apoio de Lula
Autor: Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 10/08/2008, O País, p. 15
Prefeito peemedebista, apoiado por 14 partidos, inclusive o ex-adversário PT local, tem 70%
GOIÂNIA. A novidade da eleição em Goiânia é a união entre o PT e o PMDB, que em 2004 se engalfinharam, com a derrota do primeiro. Agora, tudo são flores na relação, apesar dos espinhos que metade dos petistas enfrenta, justamente a metade que foi contrária à aliança. Iris Rezende, o atual prefeito, do PMDB, lidera a disputa, com mais de 70% da preferência do eleitorado. Folgado na dianteira, o prefeito quase não faz campanha. Limita-se a abrir comitês e, claro, verificar obras, tocar a administração, que tanta ou mais visibilidade lhe dão. E, numa eleição em que o principal astro é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disputado até judicialmente, Iris dá de ombros para uma eventual participação dele em sua campanha.
- Procuro evitar dissabores para o presidente. Até porque o outro candidato (Sandes Junior, do PP) pertence a um partido da base aliada do governo.
Em 1998, Iris também contava com aprovação recorde do eleitorado, na disputa pelo governo do estado. Foi derrotado, ao final, pelo então novato Marconi Perillo, do PSDB.
Falante como sempre, o peemedebista, que já foi prefeito, governador em duas ocasiões, senador e ministro, encabeça uma coligação de 14 partidos e, nada modesto, diz que todos se aliaram a ele por causa de seu trabalho. Pode ser, mas o PT, pelo menos, se aliou por causa da vice - e da possibilidade de retornar ao comando da prefeitura em 2010, caso Iris saia para disputar o governo.
Grupo de Delúbio indicou vice petista na chapa
O presidente municipal do PT, Luiz Alberto de Oliveira, reconhece que o partido saiu dividido da decisão do apoio a Iris. Mas, disciplinado, já se engajou na campanha, apesar de ter defendido a candidatura própria. A única coisa que uniu o PT goiano nestas eleições foi a decisão de ter uma chapa própria de vereadores.
Coube ao grupo do ex-tesoureiro Delúbio Soares no PT, responsável pela aliança do partido com o PMDB, indicar o vice da chapa de Iris, o ex-deputado Paulo Garcia - um dos atingidos indiretamente pela má-fama de Delúbio, criada no mensalão. Amigo do ex-tesoureiro, não se reelegeu em 2006. A vitória do grupo de Delúbio no PT não foi pequena. Os ainda fiéis companheiros do ex-tesoureiro no partido conseguiram persuadir dois deputados federais e os presidentes dos diretórios estadual e municipal, que eram contrários à aliança com Iris.
O presidente municipal do PT minimiza a articulação de Delúbio, também com poucas palavras:
- Ele não tem a força que a imprensa nacional aponta - diz Oliveira.
Adversários tentam criar polêmica, sem sucesso
O bloco de apoio ao governador Alcides Rodrigues (PP), que inclui o PSDB e o DEM, chegou a pensar em alguns nomes, mas todos foram desistindo pelo caminho: os senadores Demóstenes Torres (DEM) e Lúcia Vânio (PSDB) e a deputada federal Raquel Teixeira (PSDB).
Sandes Júnior já disputou a prefeitura em outras duas ocasiões e, no momento, está longe do favorito. Deputado federal e radialista, ele tem cerca de 15% das intenções de voto e procura fazer o que é possível para polemizar a campanha. Já disse que Iris não quer debater os assuntos da cidade, mas o prefeito vira as costas para ele e sai andando.
Candidato do PSOL, Martiniano Cavalcante procura fazer barulho. É costumeiramente crítico às andanças de Delúbio Soares pela cidade, sem contar os ataques ao prefeito e ao grupo do governador. O quarto pleiteante à cadeira de prefeito é Gilvane Felipe, da coligação entre PPS e PV, mestre em história pela Sorbonne, de Paris.