Título: Sabatina gay em salvador
Autor: Talento, Biaggio
Fonte: O Globo, 12/08/2008, O País, p. 9

SALVADOR. ¿O senhor apóia a nomeação de homossexuais assumidos e competentes para ocupar cargos do primeiro e segundo escalão do governo municipal? Apóia a atribuição do nome de homossexuais célebres a logradouros e instituições municipais?¿. Essas são duas das dez perguntas que serão enviadas aos cinco candidatos a prefeitos de Salvador por organizações ligadas ao movimento homossexual lideradas pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), para sondar o nível de apoio dos concorrentes à prefeitura à luta dos homossexuais.

Ao lado das perguntas há um ¿sim¿ e um ¿não¿ para que os candidatos marquem suas respostas. Pelos cálculos do GGB, a capital baiana tem cerca de 300 mil gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais.

¿ Eles votam, pagam impostos, estão presentes em todos os setores profissionais, mas continuam sendo o grupo social mais discriminado em nossa sociedade, vítimas da homofobia, o ódio anti-homossexual ¿ diz o antropólogo paulista Luiz Mott, fundador do GGB.

Segundo levantamento do GGB, a Bahia é o estado onde mais homossexuais são assassinados: houve 18 homicídios em 2007, e 16 no primeiro semestre de 2008.

¿ Os políticos são peças vitais na erradicação da homofobia, e os prefeitos têm poder para estimular e apoiar propostas da Câmara Municipal visando à cidadania plena da população homossexual ¿ ponderou Mott.

Os grupos querem saber se o novo prefeito estará disposto a capacitar os postos de saúde a desenvolver programas de prevenção à Aids e demais doenças sexualmente transmissíveis, e se apoiará estender aos parceiros homossexuais de funcionários municipais os direitos previdenciários e trabalhistas dos heterossexuais. O questionário, que pede resposta até sexta-feira, sonda se o futuro governante apoiaria ¿a abertura de vagas para gays e lésbicas no quadro institucional da Guarda Municipal a fim de ocuparem-se do policiamento das áreas predominantemente freqüentadas por homossexuais¿.

Levantamento da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) indica que a Bahia é o segundo estado com maior número de candidatos a vereador ou prefeito homossexuais assumidos (11), perdendo só para São Paulo, com 14. Conforme o GGB, hoje há apenas um nome do movimento com mandato, a vice-prefeita do município de Colônia (PI), a transexual Kátia Tapeti.