Título: Lobão não obtém consenso em torno de Jirau
Autor: Tavares, Mônica; Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 09/08/2008, Economia, p. 33
Mônica Tavares e Gerson Camarotti
BRASÍLIA. O prazo dado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para que os consórcios que disputam a usina de Jirau chegassem a um entendimento e evitassem uma briga na Justiça acabou ontem, mas os grupos mantêm o enfrentamento. O governo, que ameaçou anular as licitações do Rio Madeira e assumir as obras de Jirau e Santo Antônio, não ajudou no processo. Ao contrário do que Lobão prometeu segunda-feira, nenhuma reunião conjunta com os consórcios Madeira Energia (capitaneado pela Odebrecht) e Energia Sustentável (liderado pela Suez) foi convocada.
Lobão, no entanto, afirmou que manteve encontros com as empresas separadamente e que ainda acredita que em uma solução negociada.
- Conversei com os dois lados pessoalmente para que encontrassem um entendimento. Tenho certeza que teremos a obra na data, sem atrasos. Estou convencido que vai haver um entendimento.
Ontem foram entregues pelo presidente do Madeira Energia, Irineu Meirelles, os últimos documentos necessários à liberação da concessão da licença de instalação do canteiro de obras de Santo Antônio.
Suez apresenta novo projeto a Aneel na próxima semana
Está marcada para segunda-feira de manhã uma reunião da Agência Nacional de Águas (ANA), quando deverá ser concedida a outorga de águas. No mesmo dia o Ibama deverá aprovar a licença de instalação. Na terça-feira, será assinado o contrato de Jirau com o Suez.
O grupo vai então formalizar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a polêmica proposta que desloca em nove quilômetros a localização da usina, o que reduziu os custos em R$1 bilhão e permitiu a apresentação de tarifa menor, assegurando a vitória na licitação.
- Se a agência decidir que a mudança não pode, o consórcio será obrigado a voltar ao eixo original - disse Lobão.
- Nosso arranjo é muito melhor, e vai ser aprovado na agência e no Ibama - garantiu Victor Paranhos, representante do Energia Sustentável.
- Já apresentamos ao ministério e ao órgão regulador as inconsistências que existem neste projeto e que são os alvos de nossa contestação - rebateu Meirelles, do Madeira Energia.