Título: A Venezuela ajudou o presidente a manipular as cédulas
Autor: Aggege, Soraya
Fonte: O Globo, 09/08/2008, O Mundo, p. 38

LA PAZ. O governador de La Paz, José Luís Paredes, pode ter que deixar o cargo após o referendo, pelo que indicam as pesquisas. Em entrevista ao GLOBO, ele ironiza o risco de um golpe civil propalado pelo governo: ¿O único apoio sólido que Morales tem tido é dos militares.¿

O senhor está de acordo com o referendo de domingo?

PAREDES: Não. Mas sinto que o referendo é apoiado pelo povo, por isso não vou me opor. Mas as regras são absolutamente injustas. Sobretudo para mim. Precisarei de 62,7% para continuar no governo. Porque assim está escrito na lei. Tive 37,3% dos votos para me eleger em 2005. Então, se eu tiver 37,7% de não, estarei fora. Preciso de quase o dobro da aprovação.

Caso não consiga...

PAREDES: Se tiver 60%, estarei perdido. Já o presidente só necessita de 45,5%.

O governo afirma que a Bolívia está na ante-sala de um golpe civil. É verdade?

PAREDES: Não tenho essa informação. A informação que tenho é que o apoio sólido que ele tem é das Forças Armadas. É seu maior apoio real.

E o fato de o presidente estar impedido de entrar em algumas regiões do país... É democrático isso?

PAREDES: Há quatro departamentos onde ele não pode pisar. É a primeira vez que isso acontece no país. O presidente pode ser da maioria, mas não pisa na maior parte do território.

Como fica o país após o referendo?

PAREDES: Foi montado um grande aparato da Corte Nacional Eleitoral e há um manejo venezuelano abusivo. Caracas ajudou o presidente a manipular as cédulas de identidade. Foram mais de 80 mil documentos duplos. Após o referendo, a Bolívia estará mais acirrada, mais dividida.

Há provas?

PAREDES: A Venezuela tem uma intromissão absoluta no governo. Foram militares venezuelanos que manejaram os documentos de identidade há dois anos. Alteraram o sistema de cédulas de identidade. Agora, aparecem registros duplos eleitorais. E a Venezuela destina muito dinheiro para o governo da Bolívia. É um aparato venezuelano que sustenta Evo.(S.A.)