Título: Crise coloca economia brasileira em recessão
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Fonte: Correio Braziliense, 19/05/2009, Economia, p. 18

Uma semana após o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, ter admitido que o Brasil esteve em recessão técnica, período de dois trimestres consecutivos de perda do Produto Interno Bruto (PIB), ontem foi a vez do ministro da Fazenda, Guido Mantega, indicar a perda de riqueza que, segundo ele, teria ocorrido entre o último trimestre do ano passado e no primeiro trimestre deste ano.

¿Podemos ter tido crescimento negativo¿ disse. ¿Pode ter ocorrido uma recessão técnica, não temos uma confirmação, que sairá em junho com a divulgação do PIB. O último trimestre de 2008 foi fraco e o primeiro trimestre de 2009 também foi fraco, mas neste segundo trimestre já está havendo uma retomada¿, acrescentou. Mantega fez a afirmação durante avaliação sobre a economia brasileira feita no XXI Forum Nacional, no Rio de Janeiro.

A admitir, pela primeira vez que a economia pode ter passado por uma recessão técnica, o ministro da Fazenda procurou transmitir uma mensagem otimista, dizendo que a economia brasileira deverá registrar expansão entre 3% e 4% no último trimestre de 2009, ante igual período de 2008. Ele citou como exemplos de reação positiva o aumento nos preços das commodities, a ampliação dos níveis de crédito, a queda nos juros e o fortalecimento do mercado de capitais.

Matenga avaliou ainda que a retomada da atividade mundial tende a ser provocada por países emergentes como Brasil, China e Índia.

Estados Unidos Nos Estados Unidos, a economia começa a se estabilizar, mas a retomada será ¿desigual e frágil¿, disse ontem o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, repetindo o diagnóstico feito pelo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke. ¿Com certeza, as coisas se estabilizaram. O ritmo de baixa da maioria dos indicadores desacelerou bastante. Isso é importante para um começo¿, declarou Geithner, mencionando ¿avanços¿ nos mercados financeiros.

¿A retomada não será estável e regular. Será desigual e frágil durante um tempo¿, acrescentou Geithner, em entrevista à imprensa. Geithner previu que a taxa de desemprego, atualmente em 8,9%, seu mais alto nível desde setembro de 1983, ¿continuaria subindo um certo tempo depois do início da retomada¿.