Título: Acusado de subornar delegado, Braz é solto
Autor: Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 14/08/2008, Economia, p. 25
Com habeas corpus concedido pelo Supremo, ex-executivo da BrT deixa prisão após 30 dias
Aguinaldo Novo
SÃO PAULO. Beneficiado por um habeas corpus concedido pelo ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), o executivo Humberto Braz deixou ontem à tarde o presídio de Tremembé, no interior de São Paulo. Preso por 30 dias, Braz é acusado de tentar subornar um delegado da Polícia Federal para livrar o empresário Daniel Dantas, do Opportunity, das investigações da Operação Satiagraha.
- A decisão do STF nada mais fez do que reiterar a jurisprudência quanto à presunção de inocência do meu cliente - afirmou o advogado Renato de Moraes, que defende Humberto Braz.
Braz, que foi presidente da Brasil Telecom Participações, viajou de Tremembé para São Paulo, onde acompanha hoje audiência sobre seu processo na 6ª Vara Criminal Federal. O juiz Fausto Martin de Sanctis vai ouvir os delegados federais Protógenes Queiroz (que comandou a Operação Satiagraha) e Victor Hugo Ferreira (que teria recebido a proposta de suborno), ambos na condição de testemunha. De Sanctis vai colher também o depoimento do escrivão Amadeu Ranieri.
- O juiz nos facultou o direito de acompanhar a audiência - explicou o advogado de Braz.
Braz permanecerá calado até ter acesso a fitas da PF
Interrogado no último dia 6, Humberto Braz não respondeu a qualquer das perguntas feitas pelo juiz da 6ª Vara Federal. Sua defesa reafirmou ontem que o executivo não mudará seu comportamento enquanto não tiver acesso às transcrições de fitas gravadas pela PF que provariam o crime de corrupção ativa.
- As fitas apresentadas não têm qualidade técnica. O juiz negou um primeiro pedido para perícia das fitas. Na terça-feira, apresentamos um novo pedido, e aguardamos a resposta - afirmou o advogado, que voltou a dizer que Braz foi vítima de uma cilada preparada pela PF.
Além de Humberto Braz, respondem também pela acusação de corrupção ativa o próprio Daniel Dantas e o professor Hugo Chicaroni - o único dos acusados nas investigações da Satiagraha que continua preso - por tentativa de suborno.