Título: Uma nova estatal, a Petro-sal será um cabide de empregos
Autor:
Fonte: O Globo, 14/08/2008, Economia, p. 26

GILBERTO ESMERALDO

Acionista da Petrobras há mais de 30 anos e sem perder uma assembléia, ele é contra a criação de uma estatal para cuidar dos campos de petróleo no pré-sal. O oficial da Marinha aposentado Gilberto Esmeraldo não descarta ir à Justiça caso se senta prejudicado.

Ramona Ordoñez

Por que o senhor é contra uma nova estatal para cuidar do pré-sal?

GILBERTO ESMERALDO: Sou contra qualquer mudança na atual legislação e radicalmente contra a criação de uma estatal. Será apenas mais um cabide de empregos. Isso é conversa para boi dormir. Vai-se criar uma "Petro-sal" em vez da antiga "Petrossauro".

E se o governo retirar os blocos do pré-sal da Petrobras?

ESMERALDO: A Petrobras descobriu os campos, é um direito adquirido. Ninguém pode tirar agora essas áreas dela, isso pode ser questionado na Justiça.

Se houver mudanças na regulamentação, isso pode afugentar investidores?

ESMERALDO: Sim, e a exploração no pré-sal exige muitos recursos. A Petrobras precisa de sócios de porte, como Exxon ou Shell, para desenvolver esses projetos. Ela sozinha não vai ter dinheiro suficiente. E aí, quem vai furar esses poços? Tem que ter parceiros para fazer isso.

Como se dividiriam os poderes entre essa superestatal e a Petrobras?

ESMERALDO: A Petrobras já vinha fazendo tudo sozinha no setor petrolífero. A companhia é inclusive destaque internacional pela tecnologia de exploração em águas profundas, não tem que se criar outra estatal. Acho que analistas, acionistas e a própria Petrobras deveriam se unir para pressionar contra a criação da estatal.

E se o governo criar essa estatal?

ESMERALDO: Vai dar prejuízos à Petrobras e a seus acionistas. Tem muito minoritário que comprou ações por conta do anúncio do pré-sal. Se eles (governo) quiserem centralizar tudo, vão parar os investimentos.

E se a estatal for criada?

ESMERALDO: Se o acionista minoritário se julgar prejudicado, seria o caso de entrar na Justiça. Não descarto essa possibilidade.