Título: Criação da Petro-sal pode parar na Justiça
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Fonte: O Globo, 14/08/2008, Economia, p. 26
Acionistas da Petrobras ameaçam entrar com ação questionando criação de estatal para gerir ativos do pré-sal
Se o governo delegar a uma nova estatal todos os poderes sobre o petróleo extraído da camada pré-sal pode se preparar para enfrentar ações na Justiça dos acionistas da Petrobras. Reunidos ontem em encontro da Apimec - associação que reúne analistas e investidores do mercado de capitais - no Rio, eles questionaram o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, sobre o projeto. O executivo se limitou a dizer que não comentaria o assunto e lembrou que há uma comissão interministerial criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do tema. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, apóia a criação da nova estatal, apelidada pelo mercado de "Petro-sal".
- Pode ir para o Supremo (Tribunal Federal) e se alongar durante muito tempo sim - disse à agência de notícias Reuters o presidente da Apimec/RJ, Luiz Fernando Lopes Filho, referindo-se à possibilidade de criação de uma nova empresa para o pré-sal. - Tem gente da oposição ao governo comungando com isso, que devemos aproveitar esses recursos extraordinários para investir em educação. Como disse ontem (anteontem) o (senador) Tasso Jeiressati... há um complô formado para isso.
Apimec diz que Petrobras tem de zelar por acionistas
Ele lembrou que a Petrobras tem "dezenas de milhares de investidores dentro e fora do país, inclusive os grandes fundos de pensão mundiais, e por isso tem que zelar pelo interesse dos que estão apostando na empresa". Lopes Filho teria uma reunião com a diretoria da Apimec ontem para fechar uma posição na entidade sobre a questão.
Durante o evento, um dos mais antigos acionistas da Petrobras Gilberto Esmeraldo, membro da Apimec, conclamou a empresa a se aliar à associação contra a criação da nova estatal.
- Minha sugestão é que Apimec e Petrobras se unam em defesa do acionista para protestar contra o pré-sal, a Petrobras tem direito adquirido no pré-sal - afirmou.
A indústria petrolífera, representada pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), também é contrária à criação da "Petrosal". Na avaliação do IBP, para o governo conseguir mais recursos com o petróleo do pré-sal bastaria aumentar o valor dos royalties e participações especiais nos blocos da região.
O pré-sal se estende por uma faixa desde o Espírito Santo até Santa Catarina. A estimativa de reservas foi feita em apenas um campo, o de Tupi, onde há potencial de até 8 bilhões de barris. Hoje, as reservas nacionais são de 14 bilhões de barris.
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