Título: Sem refinarias, sem postos
Autor: Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 15/08/2008, Economia, p. 29

Ramona Ordoñez

O investimento em distribuição concentrado nos países onde a empresa tem refinarias próprias foi uma das causas que levaram a gigante americana Chevron a vender a rede de postos Texaco, que atua no Brasil há 93 anos. O gerente-geral da Chevron para a América Latina, Maurício Nichols, explicou que a companhia está realinhando suas atividades de distribuição de combustíveis, concentrando-se em Estados Unidos e Ásia.

No Brasil, novos projetos de refino não são atrativos para o capital privado, dizem especialistas. Nichols procurou ser cauteloso, mas admitiu que no momento não é rentável investir em refinarias no país.

- Não enxergarmos hoje essa possibilidade. Se no futuro isso acontecer, poderá ser analisado.

No Brasil, a Petrobras detém quase 100% do mercado de refino. Por controlar os preços como os de gasolina, diesel e GLP, fica difícil uma refinaria privada competir.

Gigantes petroleiras concentram atividades em exploração

O especialista Adriano Pires destacou que, além de não ser competitivo o negócio de refino no país, as gigantes petrolíferas estão focando seus investimentos em exploração e produção de petróleo, que tem retorno financeiro bem maior.

Nichols destacou que a Chevron vai continuar no Brasil na área de exploração e produção (E&P) de petróleo e em lubrificantes. A Chevron tem participação em cinco blocos. A Chevron está investindo US$3 bilhões em cinco anos no Brasil em E&P, e vai iniciar a produção de petróleo no campo de Frade, em Campos, em 2009.

O vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz, disse que as vendas da Ipiranga, da Esso e agora da Texaco mostram que o setor está se mostrando atrativo para os investidores.

- A distribuição, depois de ter enfrentado nos últimos anos muitos problemas com sonegação e mercado ilegal, começa a estar saneada e se mostra atrativa como investimento - destacou Vaz