Título: Senado propõe bolsa analfabetismo de R$450
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 17/08/2008, O País, p. 17
Idéia é premiar jovens e adultos que aprendam a ler e escrever; custo seria 4 vezes o de programa do governo
Demétrio Weber
BRASÍLIA. Enquanto o governo tropeça na tentativa de vencer o analfabetismo, o Senado deu o primeiro passo para criar um novo incentivo à população que não sabe ler: a criação de uma bolsa alfabetização, no valor de R$450, para premiar jovens e adultos que aprendam a escrever. O governo vê com desconfiança a proposta que foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no último dia 6 de agosto. Para atender os 14,4 milhões de jovens e adultos iletrados no país, o novo incentivo custaria R$6,5 bilhões ou R$1,3 bilhão ao ano. Assim, o gasto anual superaria em mais de quatro vezes o orçamento do Brasil Alfabetizado, programa do Ministério da Educação que dispõe de R$300 milhões este ano.
O projeto é do senador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PDT-DF), que implementou proposta semelhante quando governou o Distrito Federal, de 1995 a 1998. O texto aprovado pela CCJ estabelece a meta de erradicar o analfabetismo em cinco anos. É nesse prazo que o governo deverá conceder a bolsa. O projeto seguirá para as comissões de Assuntos Econômicos e de Educação. Se aprovada, vai ao plenário da Câmara.
Ministro teme que alfabetizados finjam
Para Cristovam, a medida aumentaria a eficácia e diminuiria despesas:
- O incentivo reduz o custo do programa de alfabetização porque, querendo o dinheiro, os alunos vão se alfabetizar mais rápido. A maior dificuldade é atrair as pessoas para esse tipo de curso. É mais fácil um estudante entrar na faculdade e aprender medicina do que um analfabeto aprender a ler.
Ressalvando que desconhece a proposta, o ministro Fernando Haddad reagiu com cautela. Ele teme que a iniciativa dê margem a fraudes. O receio maior é que pessoas já alfabetizadas finjam não saber ler nem escrever apenas para ganhar o benefício.
- Como vai funcionar isso? Está previsto algum método de aferição no início do curso? - indaga o ministro.