Título: Aberta temporada de disputa interna
Autor: Figueiredo, Janaína
Fonte: O Globo, 17/08/2008, O Mundo, p. 67
Partido que integra coalizão de Lugo não esconde ambições presidenciais
ASSUNÇÃO. O governo de Fernando Lugo, novo presidente do Paraguai, mal começou e as disputas internas pelo poder já começaram a pipocar. No mesmo dia em que foram empossadas as novas autoridades, o jornal ¿La Nación¿ de Assunção publicou uma entrevista com o vice-presidente, Federico Franco, do partido Liberal Radical Autentico (PLRA), principal aliado de Lugo, na qual ele afirmou que não descansará ¿até que meu partido chegue à Presidência, em 2013¿.
Lugo não descarta reforma constitucional
Franco argumentou que não está nos planos do novo presidente buscar uma reeleição. No entanto, Lugo disse, recentemente, não descartar uma reforma constitucional, que incluiria a possibilidade de um segundo mandato. ¿Seria um absurdo se eu dissesse que não temos aspirações (presidenciais). Claro que temos aspirações, viva as aspirações¿, declarou o vice-presidente paraguaio. Franco, que é irmão do ex-vice presidente Yoyito Franco, do governo de Luis González Macchi (1999-2003), foi fundamental para a formação da aliança que permitiu a vitória de Lugo nas eleições de abril passado. O partido Liberal não tinha um líder nem votos suficientes para vencer uma eleição presidencial. Mas o apoio de seus eleitores (que representaram 72% dos votos obtidos pela Aliança Patriótica para a Mudança) foi crucial para o triunfo do ex-bispo.
Este respaldo teve um preço: a concessão de três ministérios da área econômica. A composição do novo Gabinete, porém, não satisfez plenamente as ambições dos liberais, que pretendiam uma cota maior de poder. ¿A distribuição dos cargos obviamente não nos satisfez, mas é uma decisão do presidente¿, admitiu o vice. Um dos cargos que os liberais pretendiam ocupar era o do Ministério das Relações Exteriores, que acabou ficou com o embaixador Alejandro Hamed.
Suspeitas pairam sobre futuro chanceler
Após sua indicação surgiram rumores sobre supostos vínculos do embaixador, que acaba de deixar a representação diplomática do país no Líbano, com grupos terroristas locais, fato que, segundo versões nunca confirmadas, incomodaria profundamente os Estados Unidos. De acordo com assessores de Hamed, os boatos partiram da ala liberal do governo que ainda não conseguiu digerir a decisão de Lugo. (Janaína Figueiredo)