Título: Meirelles: aumento da taxa de juros já influencia expectativas do IPCA
Autor: Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 19/08/2008, Economia, p. 20

Presidente do BC diz a empresários em NY que índice pode voltar à meta

Marília Martins

NOVA YORK. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem em encontro com empresários americanos em Nova York que "é viável trazer a inflação brasileira de volta à meta de 4,5% em 2009" e nos próximos anos. Meirelles apresentou a pesquisa de mercado Focus, realizada semanalmente pelo BC, para mostrar que já existem sinais de que a política monetária começou a influenciar as expectativas de inflação.

- A política monetária vem controlando os efeitos da aceleração da inflação de 2008 e corrigindo a expectativa do mercado. A inflação brasileira é resultante de pressões internacionais, como a alta do preço dos alimentos, e também de pressões internas, resultantes do mercado doméstico. Mas a queda recente da inflação, depois de um viés de alta, demonstra que é viável trazer a inflação brasileira de volta à meta de 4,5% em 2009 - afirmou o presidente do BC.

País está mais bem preparado para crise externa

A alta dos preços das commodities no mercado internacional e o aquecimento da demanda doméstica levaram a inflação acumulada anual para mais de 6% em junho. Meirelles mostrou que, no fim de julho, as expectativas de inflação para 2008 estavam acima de 6,5%, teto da meta definida pelo governo. Mas, segundo a Focus, essas expectativas agora estão em 6,44% para 2008 e em 5% para 2009.

Após elevar a taxa Selic em 1,75 ponto percentual nas últimas três reuniões do Copom, a avaliação feita pela equipe do BC é de que as medidas estão surtindo efeito para conter a tendência de alta nos preços.

Além disto, segundo o presidente do BC, o fato de o país ser hoje credor no mercado internacional, com reservas de US$203,6 bilhões, o coloca em melhores condições para enfrentar um cenário internacional adverso, com o desaquecimento dos EUA.

- Trata-se de mudança estrutural, que marca uma diferença em relação ao passado de vulnerabilidade, tanto externa quanto do ponto de vista fiscal - disse Meirelles, no encontro organizado pela Câmera de Comércio Brasil-EUA.

O presidente do BC garantiu ainda que o banco vai agir vigorosamente para manter a inflação dentro da meta prevista para este ano. A meta é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.