Título: Mercado ainda projeta taxa dentro da meta
Autor: Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 19/08/2008, Economia, p. 20
Queda nas cotações das "commodities" alivia pressão nos preços
Patrícia Duarte
BRASÍLIA. A desaceleração das cotações internacionais das commodities continua atenuando a pressão sobre a inflação no Brasil. Pela terceira semana consecutiva, o mercado revisou para baixo suas projeções para o IPCA deste ano. Na pesquisa Focus, do Banco Central (BC), divulgada ontem, os analistas reduziram de 6,45% para 6,44% a previsão para o índice oficial, dentro da meta do governo para o período - de 4,5% com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Para 2009, a estimativa não foi alterada: 5%.
Nas últimas semanas, os preços de algumas commodities caíram cerca de 20%, levando alívio para a inflação de alimentos. Segundo especialistas, a política monetária mais restritiva do BC - que desde abril vem subindo a taxa básica de juros, hoje em 13% ao ano, e deve manter a tendência de alta - também está ajudando a reacomodar as expectativas sobre a inflação futura.
O mercado também cortou as projeções deste ano para o IGP-M (usado no reajuste de aluguéis), de 11,04% para 10,96%, e o IGP-DI, de 11,33% para 10,86%.
Dólar em alta pode mudar cenário em 2009
Mas há um complicador, sobretudo para 2009: o câmbio. O mercado agora espera uma desvalorização do real. Para 2008, a projeção do dólar ficou em R$1,61, contra R$1,60 na semana anterior. Para 2009, passou de R$1,71 para R$1,72.
- O que aconteceu nos últimos dias pode ser uma reversão da tendência (de valorização cambial) - disse a economista do Unibanco Asset Management Caroline Silveira de Camargo, que prevê o dólar a R$1,80 no fim do ano.
O real pode perder força devido ao déficit em transações correntes neste ano, que deve ficar acima dos US$25 bilhões, e à queda dos preços das commodities agrícolas, que reduz o saldo da balança comercial do país. Com menos dólares entrando no país, a cotação sobe. Ontem, a moeda americana fechou a R$1,64 e, no mês, acumula valorização de quase 5%.
- Pode ser que, em 2009, a inflação não desacelere tão facilmente - disse Caroline, referindo-se ao impacto positivo do real forte sobre os preços.
A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano permaneceu em 4,80%