Título: Pré-sal evitaria apagão educacional
Autor:
Fonte: O Globo, 19/08/2008, Economia, p. 24

Miguel Jorge defende que dinheiro do petróleo seja investido em qualificação

SÃO PAULO. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, defendeu a criação de um fundo para a educação, com recursos da exploração do petróleo recentemente descoberto na camada pré-sal pela Petrobras. Para Jorge, um percentual dos ganhos com as novas reservas serviria para evitar a ameaça do que chamou de "apagão educacional" e "apagão de qualificação" no país. A idéia, que implicaria alterações na Lei do Petróleo, já havia sido defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva semana passada.

- Temos que resolver esse problema do apagão educacional. Por isso, sou a favor da criação de um fundo com os lucros dessa nova descoberta de petróleo - disse Jorge, após participar do 7º Congresso Brasileiro de Jornais, patrocinado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).

Ministro estuda incentivo à produção de papel imprensa

Segundo ele, o fundo deverá ser usado pelos próximos governos em programas de formação de mão-de-obra. O governo Lula seria o responsável pela construção do marco legal e pela criação de uma nova empresa, que seria encarregada de gerir os recursos gerados pela exploração do pré-sal.

Jorge falou sobre as perspectivas para a indústria jornalística em 2020 e prometeu estudar uma forma de reduzir a dependência da importação de papel imprensa, que hoje responde por 60% do consumo interno. Segundo ele, o governo pode estudar incentivos ao aumento de capacidade de produção da Norske Skog Pisa, única fabricante de papel para imprensa do país, localizada no Paraná:

- É uma questão pontual. Vamos discutir com o governo e achar uma saída via incentivos, redução de impostos ou investimentos.

Sobre o crescimento da inflação - que começa a afetar o resultados dos jornais -, o ministro disse que já há uma redução dos índices, com as medidas para conter o consumo (aumento dos juros). Para ele, a inflação deverá convergir para a meta de 4,5% ou 5% em 2009. Em relação ao câmbio, disse que os empresários terão que se acostumar com o dólar entre R$1,60 e R$1,80. (S. A. e L. R.)