Título: Jobim diz que Forças Armadas não vão ser cicerones de candidatos
Autor: Franco, Bernardo Mello ; Tabak, Flávio
Fonte: O Globo, 26/08/2008, O País, p. 4
"Nós vamos dar segurança para a população e a região", afirma ministro
Bernardo Mello Franco e Flávio Tabak
BRASÍLIA e RIO. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, avisou ontem que não permitirá que soldados do Exército acompanhem candidatos em campanha no Rio. Ele afirmou que o envio de tropas, requisitado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), tem o objetivo de garantir a independência do voto e a segurança aos eleitores que moram em áreas dominadas pelo tráfico ou pela milícia, e não aos políticos que disputam a eleição.
Jobim disse que as Forças Armadas não atuarão como "cicerones de candidato" e prometeu iniciar a operação o mais rapidamente possível. Para ele, a decisão de impedir a escolta fardada em áreas de risco evitará que os políticos façam uso eleitoreiro da presença dos militares. Segundo Jobim, os candidatos aproveitariam o envio do Exército para fazer demagogia, criticando os militares para agradar os moradores de comunidades que receberão as tropas.
- Não caberá às Forças ciceronear candidatos. Eu conheço esse jogo, sei o que iria acontecer. O candidato faria um discurso na beira do morro, dizendo "Eu não admito, porque eu acredito no meu povo"... e vira uma confusão infernal. É aquele jogo eleitoral que a gente conhece. Um jogo que inviabiliza todo o processo - afirmou, após comemoração do Dia do Soldado.
Jobim disse que os candidatos que reclamam de falta de segurança terão que buscar meios próprios para se proteger:
- O problema é deles. Nós vamos dar segurança para a população e a região.
Jobim prometeu decidir até o fim da semana o contingente que será destacado. O governador Sérgio Cabral disse que espera a permanência de tropas no estado. Ele recebeu cópia do ofício enviado pelo presidente do TSE, Ayres Britto, ao presidente Lula, solicitando as tropas.
- O importante é a imprensa trabalhar com liberdade. Os candidatos têm que fazer campanha com liberdade, as comunidades, sobretudo, têm que votar com liberdade.