Título: Após quatro dias de alta, Bovespa volta a cair
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 23/08/2008, Economia, p. 31
Queda das "commodities" no mercado internacional faz pregão fechar em baixa de 0,15%. Dólar sobe 1,06%
Bruno Rosa
Depois de subir durante toda a semana, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem em queda de 0,15%, aos 55.850 pontos, diante do recuo na cotação das commodities no mercado internacional. Na semana, acumulou ganhos de 2,96%. No câmbio, o dólar fechou em alta de 1,06%, cotado a R$1,628, depois de quatro dias de baixa. Desde segunda-feira, a moeda americana acumula desvalorização de 0,73%.
Por outro lado, a queda de até 5,44% do preço do petróleo impulsionou o mercado acionário americano. Para analistas, a queda no preço da matéria-prima aumenta o poder de compra das famílias americanas e reduz as pressões em torno da inflação. Assim, o Nasdaq fechou em alta de 1,44%. Dow Jones e S&P também tiveram um dia positivo, com ganhos de 1,73% e 1,13% respectivamente.
- No Brasil, a queda na cotação do petróleo afeta as ações da Petrobras, uma das principais empresas da Bolsa. Nos Estados Unidos, a matéria-prima mais barata reduz os gastos dos americanos com gasolina, sobrando, assim, mais dinheiro para consumo. Foi isso que animou os investidores por lá - explicou Alexandre Horstmann, diretor de gestão da Meta Asset Management.
Analistas também destacaram que o mercado recebeu bem o pronunciamento de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Para Bernanke, a recuperação do dólar e a queda do petróleo, junto com a fraqueza econômica, devem frear a inflação, em um sinal de que a taxa de juros dos EUA deve continuar no mesmo patamar. Ele alertou, porém, que as perspectivas de inflação são "altamente incertas".
Em um evento do Fed na cidade de Jackson Hole, Bernanke chamou a recente queda dos preços das commodities e a estabilização do dólar de "encorajadoras".
As bolsas européias subiram com a perspectiva de que o banco Lehman Brothers possa ser comprado pelo Korea Development Bank, segundo declarou o próprio banco. A Bolsa de Londres subiu 2,52%, a de Frankfurt, 1,69%, e a de Paris, 2,23%.
Rumor de venda da TIM impulsiona ação ON
Ontem, o dólar voltou a ganhar terreno frente às principais moedas do mundo. Segundo Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, a queda no preço das commodities foi o principal motivo do aumento da cotação da moeda no Brasil.
Na Bolsa, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras, as mais líquidas, caíram 0,67%. Os papéis PN da Vale registraram recuo de 2,03%. Analistas destacaram o bom desempenho das empresas de telefonia. Rumores de que a TIM seria comprada impulsionaram as ações da empresa. Pelo segundo dia consecutivo, os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da companhia telefônica tiveram forte alta. Ontem, os papéis subiram 5,04%, acumulando alta de 9% desde quinta-feira. Por outro lado, os papéis PN caíram 1,12%, acumulando queda de 4,11% em dois dias. Segundo Alex Pardellas, analista de telecom da Banif, o movimento indica uma possível mudança de controle.
- Essa é a maior diferença entre as ações em meses. Nos últimos quatro anos, a mais alta foi em dezembro de 2006, de R$1,86. Esse movimento é muito comum quando existe a possibilidade de mudança de controle, visto que as ações ON têm tag along (extensão aos minoritários do direito de receber o prêmio pago pelo controle no caso de venda da empresa) - diz Pardellas.
Segundo analistas, a empresa mais cotada para comprar a TIM seria a Vivo, cuja ação PN subiu 2,94%. Porém, dizem fontes, outras empresas já mostram interesse pela segunda maior operadora de telefonia móvel do país. Procurada pelo GLOBO, a TIM afirmou que os rumores não têm fundamento.
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