Título: 'Será quase impossível achar autor de grampo
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Fonte: O Globo, 04/09/2008, O País, p. 5

BRASÍLIA. José Milton Campana, o diretor-adjunto afastado da Abin, disse ontem à CPI dos Grampos que a Abin não participou "institucionalmente" do grampo ao presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. Mas evitou responder se agentes podem ter participado das escutas à revelia da direção da Abin. Campana disse que o órgão não atua no submundo, e contestou a acusação de que a agência tenha participado de grampo. Ex-número dois do órgão, Campana saiu em defesa do diretor-geral Paulo Lacerda, também afastado pelo presidente Lula, e disse estar certo de que toda a cúpula será reconduzida a seus cargos.

- A Abin não atua à revelia da legislação, não fez e não faz interceptação telefônica. A Abin não é uma instituição que atua no submundo ou de forma sub-reptícia. Ela não trabalha contra o Brasil. Ao contrário, dedica-se diuturnamente a trabalhar pela segurança do Estado brasileiro - afirmou.

Campana disse que o único caso conhecido de grampo na Abin ocorreu no governo Fernando Henrique, durante a privatização da antiga Telebrás, e afirmou que a agência não faz qualquer escuta há anos.

- Jamais, em qualquer situação, por mais crítica que fosse, a Abin usou instrumentos espúrios ou ilegais. A Abin institucionalmente não realizou, patrocinou ou mesmo colaborou com ações espúrias, as quais também repudia veementemente, e que jamais foram utilizadas no acompanhamento de seus trabalhos.

Em depoimento marcado pelo tom de cautela, o diretor deixou frases pela metade e deu respostas curtas a perguntas mais incisivas. Numa dessas ocasiões, disse ao deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) que é "quase impossível" descobrir a autoria de grampos ilegais. O parlamentar queria saber se, na avaliação de Campana, a Abin e outros órgãos do governo teriam condições de detectar a autoria de escutas clandestinas.