Título: Líder norte-coreano está gravemente doente, diz inteligência americana
Autor: Mazzetti, Mark; Sang-hun, Choe
Fonte: O Globo, 10/09/2008, O Mundo, p. 33

Kim Jong-il, que teria sofrido derrame, não comparece a cerimônia militar

Mark Mazzetti e Choe Sang-hun*

WASHINGTON e PYONGYANG. O líder norte-coreano, Kim Jong-il, está seriamente doente e pode ter sofrido um derrame semanas atrás. As suspeitas, reveladas por um agente da inteligência americana, aumentaram depois que Kim não compareceu à cerimônia em comemoração aos 60 anos da fundação da Coréia do Norte, com o tradicional desfile militar surpreendentemente modesto.

O agente, falando sob a condição de não ter o nome revelado, disse que o estado exato da saúde do norte-coreano não está claro. Mas, aparentemente, Kim não estaria à beira da morte.

A saúde de Kim é foco de grande atenção entre governos e especialistas em segurança. Ele lidera um dos regimes mais isolados e imprevisíveis do mundo, com um programa de armas nucleares que preocupa a comunidade internacional. O país é, também, um dos mais pobres do planeta, e grande parte de sua população depende de ajuda humanitária do exterior para comer.

Kim, de 66 anos, não faltou a qualquer um dos últimos dez desfiles de militares ou milicianos realizados no dia dos aniversários do Partido Comunista, das Forças Armadas ou do país, quando colunas de veículos blindados e lançadores de foguetes atravessam a praça principal da capital, Pyongyang, enquanto legiões de soldados em passo de ganso o saúdam.

Porém, para o 60º aniversário do país ¿ uma data significativa para a Coréia do Norte ¿ houve apenas uma parada de milicianos responsáveis pela defesa civil. E Kim não compareceu, disse o porta-voz da principal agência de espionagem da Coréia do Sul.

Há tempos a condição de saúde de Kim gera especulação, mas sua ausência na cerimônia de ontem evidenciaria que seu estado permanece sério.

Incerteza marca especulação sobre sucessor

O maior jornal sul-coreano, o ¿Chosun Ilbo¿, publicou ontem que Kim desmaiou no dia 22 de agosto, citando um diplomata da Coréia do Sul em Pequim. O governo sul-coreano não confirmou o relato. A mídia estatal da Coréia do Norte e da China não relataram qualquer aparição pública de Kim desde meados de agosto, e circulam boatos sobre a saúde do líder do país. Segundo a inteligência da Coréia do Sul, Kim tem uma doença cardíaca crônica e diabetes.

No entanto, o agente americano afirma que há poucos indícios de que as autoridades norte-coreanas estejam aumentando as preparações para uma transferência de poder.

A Coréia do Norte, país criado em 1948 depois da Segunda Guerra Mundial, só teve dois líderes até hoje. Mas, ao contrário da transferência de poder de Kim Il-sung (1912-1994), pai do atual líder, para Kim Jong-il, largamente anunciada antes da morte do primeiro, não está claro quem assumiria o controle do país em caso de morte do chefe do governo norte-coreano.

Kim tem três filhos, mas nenhum deles desponta como herdeiro óbvio. As hipóteses aventadas vão desde a elevação de um deles ao poder até um golpe militar, passando pela possibilidade de um governo de parentes de Kim e tecnocratas.

*Com agências internacionais