Título: Opep reduz produção, mas barril cai a US$98
Autor: Ordoñez, Ramona; Ribeiro, Erica
Fonte: O Globo, 11/09/2008, Economia, p. 34

Brent tem menor cotação desde março. Agência Internacional de Energia vê queda na demanda

VIENA, NOVA YORK e LONDRES. Nem uma decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) conseguiu impedir que a cotação do petróleo ficasse abaixo dos US$100 ontem. O cartel decidiu, na noite de terça-feira, reduzir o teto de sua produção em 520 mil barris, para 28,8 milhões por dia. Mas esse anúncio foi abafado pela previsão, feita pela Agência Internacional de Energia (AIE), de queda na demanda mundial pela commodity.

Com isso, o barril do tipo Brent recuou 1,4%, para US$98,97, no décimo pregão consecutivo de queda. Desde 24 de março, não fechava abaixo de US$100. Já o do tipo leve americano caiu 0,66%, para US$102,58 - na mínima do dia, chegou a US$101,36.

- As medidas (para reduzir a produção) serão tomadas pelos países-membros assim que eles puderem, ou seja, nos próximos 40 dias - afirmou o presidente da Opep, Chakib Khelil.

Mas representantes do governo da Arábia Saudita - que, sozinha, ultrapassa sua cota oficial em mais de 520 mil barris - afirmou que vai ignorar a decisão do cartel, segundo o site do "New York Times".

A Casa Branca discordou da Opep, acrescentando que os EUA querem mais petróleo no mercado, não menos.

A AIE informou ontem ter revisto para baixo suas projeções de demanda para este ano e 2009, com os altos preços do petróleo e a desaceleração econômica reduzindo o consumo nos Estados Unidos. Para 2008, a previsão foi reduzida em cem mil barris, para 86,8 milhões de barris diários. A de 2009 recuou em 140 mil barris, para 87,6 milhões diários.

Analista aponta especulação em futuros de petróleo

A queda do consumo nas economias desenvolvidas, afirmou a AIE, é em parte contrabalançada pela demanda maior por combustíveis de China, Índia e Irã. O relatório também aponta haver indícios de "uma guinada acentuada para veículos mais eficientes, de mudanças na mobilidade e nos hábitos de viajar de carro".

Os investidores em índices de commodities, apontados como responsáveis pelos preços recordes do petróleo, venderam o equivalente a US$39 bilhões em contratos futuros do produto entre 11 de julho - quando o barril atingiu a máxima de US$147,27 - e 2 de setembro, segundo um relatório divulgado ontem por Michael Masters, presidente do fundo hedge Masters Capital Management. Isso fez os preços do petróleo bruto desabarem, diz o documento.

Masters responsabiliza os investidores que compram e detêm índices de commodities pelos preços recordes e sua subseqüente queda.

Ele prestou três depoimentos no Congresso dos EUA este ano, afirmando que a imposição de limites às transações reduziria as cotações para entre US$65 e US$70.

- Não acho que tenha sido apenas coincidência o dinheiro sair depois que se fez pressão sobre esses operadores - disse Masters. (Bloomberg News e agências internacionais)