Título: Ipea: reservas têm custo muito elevado
Autor:
Fonte: O Globo, 13/09/2008, Economia, p. 34

BRASÍLIA. A expansão do volume de reservas internacionais do país nos últimos dois anos, que hoje somam pouco mais de US$205 bilhões, tem gerado um custo elevado. Essa é a conclusão de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem. O texto aponta que os custos fiscais totais anualizados para administrar esse dinheiro, no primeiro trimestre de 2008, estavam entre R$27 bilhões e R$28,1 bilhões, ou seja, entre 1,02% e 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país ao longo de um ano).

O estudo sugere que o Banco Central reveja a atual política de compra de reservas e venda parte da liquidez internacional já acumulada. Só no semestre passado, dados oficiais do BC registram prejuízo de R$44 bilhões para manter as reservas, uma vez que a desvalorização cambial as afeta em cheio.

"Mantida a atual tendência de compra do ativo (ou seja, as reservas internacionais), os custos fiscais tendem a se tornar cada vez maiores, tanto em termos absolutos quanto em percentual do PIB", conclui o pesquisador Christian Vonbun, autor do estudo.

Ele inclui entre esses custos, além do dispêndio com juros e correção cambial, o consumo e o investimento "perdidos", ou seja, o dinheiro parado não aplicado no país. O estudo ressalta que a política de acumulação de reservas foi adequada nos últimos anos, mas Vonbun alerta para o acúmulo excessivo no período mais recente.

Segundo ele, a taxa de variação das reservas entre dezembro de 2006 e dezembro de 2007 foi a terceira maior do mundo - 110,7%, quase quatro vezes a variação média mundial.

"O elevado nível de reservas internacionais do Brasil é uma espécie de "seguro" muito caro em termos de custos fiscais", afirma o texto.

Para o pesquisador, o nível de reservas já ultrapassou o ideal, ou seja, superou o ponto no qual seus benefícios compensam os custos. Vonbun calculou o desperdício de dinheiro público com a manutenção das reservas em patamares acima dos ideais. Segundo ele, esses valores representam entre 0,06% e 1,03% do PIB ao ano. (Gustavo Paul)