Título: Juca Ferreira receberá indenização por exílio durante o regime militar
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Fonte: O Globo, 12/09/2008, O País, p. 14
Valor é de 270 salários mínimos; ministro foi preso e exilado nos anos 70
SALVADOR. O novo ministro da Cultura, Juca Ferreira, recebeu ontem uma boa notícia: a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em visita à capital baiana, anunciou a concessão ao ministro de uma indenização de 270 salários mínimos, no valor aproximado de R$112 mil. Para obter a reparação, Juca relatou que foi processado pelo regime militar, perseguido e condenado diversas vezes, e que a vida no exílio teria provocado grande sofrimento e desequilíbrio em sua família, levando sua mulher, na época, a cometer o suicídio.
Juca Ferreira, ex-militante estudantil, sociólogo e ambientalista, foi preso na Bahia, em 1970, por envolvimento com grupos políticos de esquerda e viveu na clandestinidade até exilar-se no exterior. O ministro teve garantida a contagem de tempo de serviço durante o período em que esteve exilado para fins previdenciários, e o reconhecimento de seu diploma do curso de sociologia concluído na Universidade de Paris. Com isso, ele terá a possibilidade de se matricular no curso de mestrado em sociologia em qualquer instituição de ensino superior.
Durante os dois dias em que esteve em Salvador, a Comissão de Anistia avaliou 12 requerimentos, envolvendo 72 casos de perseguição política. Ontem, em sessão especial, foi avaliado o caso dos petroquímicos do Pólo de Camaçari, demitidos por justa causa em 1985, já no período de redemocratização brasileira, por uma greve que durou 23 dias. Os envolvidos na greve afirmaram que tiveram seus nomes incluídos em uma lista do Serviço Nacional de Informações (SNI) e, por isso, não teriam mais conseguido trabalhar em nenhuma outra empresa do ramo.