Título: FH recomenda que Mantega ponha as 'barbas de molho' por causa da crise
Autor: Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 18/09/2008, Economia, p. 28

NOVA YORK e SÃO PAULO. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou ontem que o Brasil deve colocar as "barbas de molho" porque a crise econômica internacional só teve precedente com o crash de 1929. Na gravação do "Programa do Jô", marcado para ir ar ainda ontem à noite pela TV Globo, Fernando Henrique disse que as reservas de US$200 bilhões do Brasil não garantem que o país resista à crise:

- A crise vai diminuir o ritmo do crescimento. Estamos melhor agora, com a economia ajeitada, com uma boa reserva, de US$200 bilhões. Mas eu vi uma reserva de US$70 bilhões ser queimada. Era uma crise de outra natureza, é verdade. Mas temos de pôr as barbas de molho. O ministro (Guido Mantega, da Fazenda), não tem barba, mas tem de ficar um pouco mais alerta antes que a barba cresça.

Fernando Henrique apontou a queda de preços das commodities como outro fator de risco para o país:

- Estamos exportando muito e o valor das commodities está caindo. Espero que não tenha um efeito tão dramático assim - disse o ex-presidente, que chamou a crise de tempestade: - Lá fora está uma tempestade financeira e só teve algo semelhante em 1929. Não gosto de agourar coisas ruins, mas nunca vi, lá fora, algo tão ruim. Eles (os bancos centrais) fizeram a socialização das perdas, mas, mesmo assim, não estão segurando.

Presidente do BC foi discutir a extensão da crise

Em Nova York, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, teve ontem uma série de reuniões com analistas de mercado do Federal Reserve para fazer uma avaliação da extensão da crise financeira em Wall Street e de seus potenciais efeitos sobre economias emergentes como o Brasil. Meirelles chegou à sede do Federal Reserve em Nova York por volta das 9h. Segundo a assessoria do Fed, a viagem não estava previamente programada e a agenda de reuniões, a portas fechadas, foi feita a pedido de Meirelles.

A proposta das reuniões foi promover a troca de informações sobre instituições financeiras e de seus negócios internacionais. De tarde, Meirelles participou de encontros com investidores americanos e brasileiros, também a portas fechadas, para discutir os efeitos da crise americana.