Título: BCs liberam US$180 bi para mercado
Autor: News, Da Bloomberg
Fonte: O Globo, 19/09/2008, Economia, p. 27
Bolsa de NY sobe 3,86%. Governo americano pode criar agência para absorver créditos podres
Da Bloomberg News*
NOVA YORK, PEQUIM Em mais uma tentativa de acalmar os mercados, seis bancos centrais anunciaram ontem uma ação conjunta que vai colocar à disposição do sistema financeiro mais US$180 bilhões. Os recursos serão distribuídos pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) aos demais bancos centrais por meio de linhas de swap firmadas com essas instituições, que poderão leiloar quantias específicas nos mercados locais. A medida eleva para US$247 bilhões o montante disponibilizado pelo Fed no mundo por essa linha de crédito e para cerca de US$600 bilhões a ajuda dos BCs ao sistema financeiro só esta semana.
No novo plano de ação, o Banco Central Europeu (BCE) dobrou o limite de dólares que é capaz de receber do Fed para US$110 bilhões, e o BC suíço poderá oferecer US$27 bilhões, ou US$15 bilhões a mais do que era permitido. Com os BCs de Japão, Inglaterra e Canadá foram firmados novos acordos que autorizam a contração de créditos do Fed de US$60 bilhões, US$40 bilhões e US$10 bilhões, respectivamente. O plano estará em vigor até 30 de janeiro de 2009. Paralelamente, o BC japonês injetou mais US$14 bilhões no mercado.
China elimina taxa para compra de ações
O anúncio da ação conjunta dos BCs foi feito pouco antes da abertura das bolsas européias. Ainda assim não conseguiu animar os investidores. A Bolsa de Paris caiu 1,06%; Londres recuou 0,66% e Frankfurt fechou estável em 0,04%. Na Ásia a expectativa do anúncio fez as bolsas reduzirem as baixas. Hong Kong chegou a despencar 7,4%, mas fechou em 0,03%. A Bolsa de Xangai fechou em baixa de 1,72% e a de Tóquio, de 2,22%.
- O timing dessa medida (a ação dos BCs), assim tão cedo, mostra a gravidade das tensões do mercado e a determinação das autoridades para recuperar o funcionamento ordenado dos mercados - disse Julian Callow, chefe do setor de economia européia do Barclays Capital em Londres.
Nos EUA, o mercado reagiu bem num primeiro momento, mas caiu durante o dia, com o rumor de conversas entre o banco de investimentos Morgan Stanley e fundos soberanos de China e Cingapura sobre a possível aquisição de uma fatia no banco. Na última hora do pregão, as bolsas voltaram a subir com a possibilidade de o governo americano criar uma agência para absorver títulos podres de bancos em dificuldades, nos moldes da Resolution Trust Corp (RCT), criada em 1989. O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York subiu 3,86%; o Nasdaq teve alta de 4,78%, e o S&P, de 4,33%. Em pontos, o Dow Jones teve a maior alta desde outubro de 2002, fechando em 11.019,69 pontos.
Ontem, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, esteve reunido com congressistas para debater "um amplo plano" para a crise. Segundo o Tesouro, "todas as opções legislativas e administrativas" serão estudadas. As conversas devem seguir no fim de semana. Um parlamentar que não quis se identificar afirmou à Reuters que a idéia é criar uma versão moderna da RTC.
Bush: "continuaremos agindo para estabilizar mercados"
Também contribuiu para a alta das bolsas americanas a decisão do governo chinês de eliminar o imposto sobre a compra de ações, a partir de hoje, para incentivar a confiança do investidor no mercado. Em abril deste ano a taxa havia sido cortada de 0,3% para 0,1%. Além disso, o governo vai adquirir papéis dos três maiores bancos estatais.
Para tentar conter a tensão do mercado, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez um pronunciamento ontem, seu primeiro comentário público sobre a crise desde o comunicado de 160 palavras divulgado em 15 de setembro.
- Os americanos podem ter certeza de que nós continuaremos agindo para fortalecer e estabilizar nossos mercados financeiros e melhorar a confiança dos investidores.
O candidato a presidência dos EUA, Jonh McCain, alfinetou Bush ontem, ao afirmar que demitiria o presidente da Security Exchange Comission (SEC, órgão que regula o mercado de capitais americano), Christopher Cox. Bush nomeou Cox para a SEC em 2005.
(*) Com Gilberto Scofield Jr. (correspondente) e agências internacionais.