Título: Para oposição, uma cortina de fumaça
Autor: Aggege, Soraya
Fonte: O Globo, 20/09/2008, O Mundo, p. 39
Crise desviaria atenção diante das eleições de novembro e do escândalo da mala
Janaína Figueiredo
BUENOS AIRES. Em plena campanha eleitoral, opositores do presidente Hugo Chávez acusaram o governo de provocar crises internacionais como estratégia para desviar a atenção dos venezuelanos de problemas gravíssimos, como a escalada da inflação e da violência e, também, do chamado escândalo da mala, que envolve os governos da Venezuela e da Argentina. A expulsão do diretor para as Américas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, de Caracas, ocorreu na mesma semana em que os tribunais de Miami avançaram no julgamento de cidadãos venezuelanos acusados de terem tentando encobrir a participação do governo no escândalo da mala com US$790 mil retida pela política federal argentina em agosto do ano passado.
- Nas últimas semanas, o governo provocou crises internacionais com o objetivo de criar confusão e, com isso, minimizar o impacto de notícias negativas, que poderiam complicar o desempenho de chavistas nas eleições regionais de 23 de novembro - disse ao GLOBO, por telefone, Timoteo Zambrano, chefe da área internacional do partido Um Novo Tempo.
Segundo ele, "o escândalo da mala prova o grau de corrupção que existe no país e a ingerência de Chávez em outros países (de acordo com promotores americanos, o destino do dinheiro era a campanha eleitoral da presidente argentina, Cristina Kirchner)".
Segundo projeções da oposição, nas próximas eleições os partidos antichavistas poderiam vencer em até dez estados, de um total de 24. Hoje, a oposição venezuelana controla apenas dois governos estaduais, contra 22 em mãos do chavismo.
- O governo poderia suspender a eleição em caso de comoção nacional. Por isso não podemos permitir que Chávez avance em sua estratégia de provocar um clima de caos que termine permitindo a suspensão do ato eleitoral - enfatizou Zambrano.
Já o presidente do partido Copei, Luis Ignacio Planas, assegurou que "a expulsão demonstra o pouco interesse do governo por direitos humanos, sua intolerância e falta de argumentos para desmentir o diagnóstico da organização". Para o diretor do Centro de Estudos sobre Direitos Humanos da Universidade Central da Venezuela, Héctor Faúndez, "não se pode tapar o sol com a peneira; o governo pode expulsar duas ou três pessoas, mas isso ratifica aspectos medulares do relatório".