Título: Líderes decidem sobre poder no FMI
Autor: Scofeild Jr., Gilberto
Fonte: O Globo, 25/09/2009, Economia, p. 25

Texto do G-20 fala em transferência de 5% das quotas para emergentes

PITTSBURGH. Ficou para os presidentes dos países do G-20 decidir na reunião de hoje quanto, afinal, os países ricos vão transferir para os emergentes em termos das quotas que possuem no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial (Bird), um passo considerado imprescindível pelos países emergentes ¿ liderados por Brasil, Índia, China e Rússia ¿ para a reformulação de poder dentro das duas maiores instituições multilaterais de crédito do mundo.

No rascunho da declaração final, discutido até o fim da tarde de ontem em Pittsburgh, fala-se em 5% de transferência nas quotas dos países ricos. É um percentual abaixo dos 7% pedidos pelos emergentes, mas, ainda assim, já vem sendo considerado uma vitória das economias em desenvolvimento diante da relutância de pequenos países ricos europeus ¿ especialmente Bélgica, Dinamarca e Suíça ¿, os que mais perdem com a reforma.

Há quem defenda que o documento final não inclua números e que o formato da reforma seja definida na reunião anual do FMI e do Bird em Istambul, no início de outubro.

¿ Os presidentes dos países emergentes vão continuar pressionando por mais espaço nos dois órgãos no jantar de hoje ¿ disse um dos negociadores brasileiros, referindose ao jantar oferecido por Barack Obama aos líderes do G-20 ontem à noite.

EUA querem reduzir Comitê Executivo do Fundo Mas a questão do percentual a ser transferido entre ricos e pobres não é o único ponto de conflito. Parte do projeto de reforma no FMI encaminhado pelos EUA inclui também uma proposta de redução das cadeiras no Comitê Executivo do organismo, de 24 para 20. Os mais prejudicados serão a França e o Reino Unido, que perderiam postos na reforma.

Por isso mesmo, a União Europeia já concordou em transferir parte de suas quotas para os países emergentes, mas desde que isso não implique a perda de suas posições no Comitê Executivo. O que significa, na prática, que, se o jogo de forças dentro do FMI mudar, com maior participação dos emergentes, o Comitê Executivo teria de crescer para abarcar mais diretores representando os emergentes, do qual os EUA discordam. (Gilberto Scofield Jr., enviado especial)