Título: Foco no controle da taxa, mesmo sem Meirelles
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 26/09/2009, Economia, p. 29
Mesquita diz que vigilância continua independentemente de quem estiver à frente do BC
BRASÍLIA. O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Mário Mesquita, deu um recado claro ontem ao mercado financeiro: a autoridade monetária não vai desviar do seu objetivo de controlar a inflação, independentemente de quem estiver à frente do BC. Para ele, toda vez que houve desconfianças de que o BC poderia se descuidar do controle de preços, as apostas acabaram originando resultados negativos para os investidores. Ou seja, reforçou que o BC não vai deixar de lado seus objetivos mesmo no ano eleitoral de 2010 ou com uma provável saída do presidente do BC, Henrique Meirelles, que pode concorrer a algum cargo político no próximo ano.
- Independentemente da conjuntura, da composição da diretoria, o BC continuará fazendo seu papel e trabalhando para entregar a inflação na meta. O êxito do BC não é de uma ou outra pessoa, mas de toda a instituição - defendeu ontem o diretor, ao divulgar o Relatório Trimestral de Inflação do BC.
Mesquita foi indagado se havia um movimento especulativo no mercado de juros futuros, cujos volume de negociação e taxas projetadas subiram consideravelmente neste mês, como O GLOBO informou ontem. Os investidores estão puxando a taxa para cima por causa do receio da disputa eleitoral e de que o crescimento econômico mais acelerado em 2010, na casa dos 5%, pressione a inflação.
Ele afirmou que a apreciação no mercado acionário decorre das melhores expectativas dos investidores sobre a economia brasileira que, se concretizadas, possibilitarão resultados mais positivos às empresas. No entanto, evitou comentar se o atual momento do mercado acionário - que acumula ganhos acima de 60% no ano - é uma bolha financeira ou não.
- As bolhas parecem óbvias depois que elas terminam - afirmou.
Mesquita também disse que o BC vai continuar com a sua política de acumulação de reservas internacionais, ou seja, comprando dólares no mercado à vista. Ele afirmou ser "normal" a procura de investidores estrangeiros por ativos brasileiros, como ações e títulos, o que acaba valorizando o real frente ao dólar, mas não enxerga esse movimento como uma distorção nas cotações. Ontem a moeda fechou a R$ 1,80.
- Os investidores preferem essa exposição maior a países que estão crescendo. (Patrícia Duarte)