Título: Zelaya usa embaixada para reuniões políticas
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 26/09/2009, O Mundo, p. 34

Em comunicado, Micheletti diz que se afastaria da Presidência para não atrapalhar eleição de novembro

TEGUCIGALPA. O governo interino de Honduras divulgou um comunicado do presidente interino Roberto Micheletti no qual ele se comprometeu com o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter a se afastar do poder caso isso atrapalhe as eleições marcadas para 29 de novembro. Micheletti também se compromete a aceitar a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e da OEA. Na conversa com Carter, Micheletti cobrou uma posição de Manuel Zelaya quanto à legitimidade das eleições de novembro.

"Se sou um impedimento para trazer a paz ao meu país e fortalecer nossa democracia, estou disposto a me colocar de lado, desde que meus concidadãos possam eleger um novo presidente nas eleições de 29 de novembro. O direito do povo hondurenho a eleger seu presidente não é negociável. Espero um reconhecimento público pelo ex-presidente Zelaya sobre sua posição em relação às eleições", diz Micheletti no comunicado.

Anteontem, Zelaya recusou uma proposta do enviado de Micheletti, Arturo Corrales, para um acordo no qual o presidente da Suprema Corte assumiria o governo até a posse do novo líder. O motivo é o fato de a Justiça ter apoiado o golpe de 28 de junho.

Quatro dos seis candidatos à Presidência estiveram anteontem com Zelaya na Embaixada do Brasil e deixaram o local dizendo que vão trabalhar por uma solução rápida para a crise.

- Eles seriam os maiores beneficiários - disse o porta-voz do Partido Nacional, Bladimir Baca, cujo candidato, Porfírio "Pepe" Lobo, lidera as pesquisas.

Segundo ele, os presidenciáveis trabalham para uma reunião entre Zelaya e Micheletti nos próximos dias.

Da Embaixada do Brasil, Zelaya defendeu a continuidade do diálogo e o chamado "Plano Arias", proposto há dois meses pelo presidente costa-riquenho, que tem como ponto central a restituição do presidente deposto com poderes limitados.

- Nunca vamos fechar o diálogo para restituir a normalidade a Honduras. O país precisa de paz. (R.G.)