Título: É um processo muito lamentável
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 29/09/2009, O Mundo, p. 26

TEGUCIGALPA. Em entrevista ao GLOBO, o presidente do Colégio de Jornalistas de Honduras, Elan Reyes, disse que pediu pessoalmente ao governo encabeçado por Roberto Micheletti que se respeite o trabalho da imprensa durante a vigência do decreto que suspende liberdades civis e de expressão no país. Segundo ele, nos próximos dias deve chegar ao país uma comissão internacional para monitorar a situação.

O GLOBO: Qual sua avaliação quanto ao decreto que suspende a liberdade de imprensa?

ELAN REYES: Fomos todos surpreendidos e colocados numa situação muito incômoda, pois se suspende a liberdade de expressão.

Isso nos levou a pedir ao governo Micheletti que mesmo dentro do estado de exceção se respeite a liberdade de imprensa e se garanta o exercício profissional do jornalismo, nacional e internacional.

A invasão da Rádio Globo e do Canal 36 já não representam um desrespeito à liberdade de imprensa?

REYES: Para nós, qualquer meio de comunicação que seja fechado em Honduras é um processo muito lamentável. Pedimos ao governo para participar da discussão no Congresso nacional para podermos expor nosso ponto de vista.

O que respondeu o governo?

REYES: A explicação do governo foi que havia meios de comunicação convidando a população a não participar da eleição e era preciso preservar a eleição.

É possível haver uma eleição nesta situação?

REYES: É algo contraditório.

Os candidatos teriam que pedir permissão para fazer campanha.

Isso é parte do que queremos dialogar.

Há notícias de que jornalistas foram presos e seus equipamentos confiscados enquanto filmavam a Rádio Globo invadida. O que o Colégio de Jornalistas pode fazer a respeito disso?

REYES: Em alguns dias, deve chegar a Tegucigalpa uma comissão formada pela Federação Internacional de Jornalistas, Repórteres Sem Fronteira e Sociedade Interamericana de Imprensa para uma monitoração internacional sobre a situação que estamos vivendo em Honduras. Além disso estamos monitorando a situação junto à polícia e outras autoridades.

(Ricardo Galhardo)