Título: Comitivas custam mais de R$300 mil
Autor: Duarte, Fernando; Magalhães, Luiz Ernesto
Fonte: O Globo, 01/10/2009, Rio, p. 12
DISPUTA OLÍMPICA: Só o governo do estado gastou R$200 mil com viagem a Dinamarca e a prefeitura, R$131 mil
Alguns dos 34 integrantes tiveram passagem e hotel pagos pelo CO-Rio, alegam órgãos públicos
RIO e BRASÍLIA. As comitivas do governo do estado, da prefeitura e dos poderes Legislativo e Judiciário que estão na Dinamarca totalizam 34 pessoas. Os órgãos informam que suas despesas com as comitivas somam R$354.674,56 e que alguns dos integrantes tiveram os custos com passagens aéreas e/ou hotéis pagos pelo CO-Rio.
Segundo informações de sua assessoria, o governo do estado gastou com a sua comitiva, formada por 19 pessoas, R$201.933,15. O governador Sergio Cabral e a primeira dama Adriana viajaram no jato cedido pelo empresário Eike Batista. As despesas de hospedagem do casal foram de responsabilidade do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Só o governador recebeu diária de 150 euros (cerca de R$390).
Os secretários estaduais da Casa Civil, dos Esportes e da Fazenda tiveram passagens e hospedagem custeadas pelo COB e receberam diária de 150 euros. A comitiva do estado é formada ainda por dois assessores pessoais de Cabral, que tiveram as passagens aéreas custeadas pelo COB e diárias de 350 euros (cerca de R$910), para hospedagem, inclusive. Viajaram também um assessor de imprensa, um fotógrafo, dois subsecretários da Assessoria de Comunicação, dois representantes do Cerimonial e um da Segurança Pública (este participará da apresentação do Rio), além de cinco assessores da Secretaria de Esportes - com passagens aéreas e diárias de 350 euros custeadas pelo estado.
A prefeitura do Rio gastou R$131 mil, sendo R$79 mil com passagens e R$52 mil com diárias (incluem hospedagem, alimentação e transporte). A assessoria do prefeito Eduardo Paes informou que sua comitiva é formada por 12 pessoas. As despesas de voo e hospedagem de Paes e da primeira dama Cristina não foram custeadas pela prefeitura: os dois viajaram no jato de Eike e têm a hospedagem arcada pelo CO-Rio.
Os secretários Ruy Cezar de Miranda Reis (especial da Rio 2016), Pedro Paulo Carvalho (chefe da Casa Civil) e Felipe Goes (extraordinário de Desenvolvimento) tiveram as passagens pagas pela prefeitura e a hospedagem, pelo CO-Rio. A prefeitura bancou ainda passagens e diárias de outras sete pessoas: dois subsecretários, três membros da Comunicação Social, um ajudante de ordens e a chefe do Cerimonial.
A assessoria da Assembleia Legislativa informou que o CO-Rio fez o convite à Alerj. Na impossibilidade de o presidente da Casa, deputado Jorge Picciani (PMDB), a Alerj enviou seu primeiro vice-presidente, deputado Coronel Jairo (PSC). Os custos de hospedagem estão sendo pagos pelo CO-Rio. A passagem aérea de ida e volta na classe executiva, no valor de R$13.341,58, foi paga pela Alerj.
Da Câmara dos Vereadores viajou o presidente Jorge Felippe (DEM). A Casa informou que o vereador Felippe foi a convite do Comitê Olímpico Internacional (COI). O custo da viagem, incluindo hospedagem e alimentação, ficou por conta do COI. Já a passagem aérea, ida e volta, no valor total de R$8.399,83, foi custeada pela Câmara.
O Tribunal de Justiça afirmou que o seu presidente, desembargador Luiz Zveiter, pagou as passagens aéreas para a Europa. As despesas com sua hospedagem são custeadas pelo CO-Rio.
Crédito extraordinário de R$30 milhões
A apenas dois dias da escolha da sede das Olimpíadas de 2016, o Congresso aprovou ontem a liberação de mais R$30 milhões para o Ministério do Esporte, a título de apoio à candidatura do Rio. O dinheiro não estava previsto no Orçamento e será repassado na forma de crédito extraordinário, instrumento usado para cobrir despesas emergenciais. De acordo com o texto, que ainda precisa ser sancionado pelo presidente Lula, os R$30 milhões serão destinados a bancar despesas com marketing, comunicação, apoio operacional, organização e realização de eventos da campanha Rio 2016 no exterior.
Para o deputado tucano Silvio Torres, presidente da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, não haverá tempo hábil para destinar os recursos às ações propostas.
- Até o dinheiro ser liberado, a sede das Olimpíadas já terá sido escolhida. Ou esse dinheiro já foi gasto, em desobediência à Lei de Responsabilidade Fiscal, ou será usado para outras finalidades - criticou.
No ano passado, o governo já havia liberado R$85 milhões para a candidatura, segundo o deputado.