Título: Governo prepara plano para retirar brasileiros
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 01/10/2009, O Mundo, p. 33
Ministério da Defesa começa a montar logística para resgatar cidadãos em poucas horas caso crise se agrave BRASÍLIA. Excluído das iniciativas diplomáticas sobre a crise em Honduras, o Ministério da Defesa começou a se preparar para uma eventual operação pacífica de retirada de brasileiros daquele país. A pasta pretende estar pronta para agir em poucas horas se vier a ser acionada, mas, por enquanto, não recebeu nenhum indicativo de que haverá deflagração da violência.
Também não divulga detalhes sobre a mobilização necessária.
O plano deve seguir os moldes da operação realizada em agosto de 2006, para a retirada de brasileiros do Líbano. Naquele caso, eles foram levados em comboios de ônibus, sob responsabilidade do Itamaraty, até a Turquia. De lá, foram trazidos ao Brasil em aviões da FAB. A maior ameaça era o bombardeio indiscriminado de veículos no sul do Líbano por parte de Israel.
Como o aeroporto em Tegucigalpa pode ser fechado se a crise se agravar, a solução deve incluir transporte terrestre e aéreo.
Por se tratar de uma ação militar pacífica, sob bandeira humanitária, a operação deve contar com a anuência do governo golpista de Honduras. Apesar de o governo não ser reconhecido pelo Brasil, ainda vigoram os tratados de não intervenção. O Itamaraty criou ontem o ¿Núcleo de Acompanhamento da Situação em Honduras¿, um grupo de diplomatas em regime de plantão 24h para analisar informações internas.
Novo embaixador só assume após fim da crise O embaixador brasileiro em Honduras, Mário Roiter, só poderá assumir o posto após o fim da crise. Ele foi sabatinado pelo Senado em 17 de junho, dias antes do golpe de Estado, e não chegou a apresentar credenciais no país. Após a deposição de Zelaya o Brasil declarou não reconhecer a gestão provisória de Roberto Micheletti.
Portanto, não apresentou o novo representante.
A revista ¿Time¿ publicou ontem uma reportagem em seu site dizendo que o Brasil reluta em assumir um papel decisivo na crise hondurenha. O país se surpreendeu ao ser envolvido no problema, diz a revista, mas não deveria: segundo a ¿Time¿ nos últimos anos o Brasil passou a ser reconhecido como o primeiro contrapeso real dos Estados Unidos no continente.
A revista afirma que o presidente Lula chegou a ficar irritado ao ver o país colocado no centro das atenções diplomáticas, algo que evitara no passado, com o abrigo a Zelaya. O envolvimento brasileiro teria sido uma manobra do presidente venezuelano, Hugo Chávez, impaciente com os esforços limitados dos EUA para resolver a crise.
¿Lula e Obama são colegas e almas-gêmeas de centro-esquerda, mas quando Obama disse que aqueles que questionam sua determinação sobre Honduras são hipócritas porque são `os mesmos que dizem que (os EUA) sempre intervieram na América Latina¿, ele estava incluindo o Brasil.¿ Segundo analistas, passada a crise de Honduras, Brasil e EUA deverão demarcar seus territórios de influência: Brasília se concentrando na América do Sul , e Washington em México, América Central e Caribe