Título: Para ministro, vazamento ocorreu na etapa de impressão das provas
Autor: Suwwan, Leila; Alencastro, Catarina
Fonte: O Globo, 02/10/2009, O País, p. 4
Haddad diz que os estudantes não serão prejudicados pelo adiamento
BRASÍLIA. A fraude no Enem foi confirmada pelo Ministério da Educação na madrugada de ontem, quando o ministro Fernando Haddad informou que o exame estava suspenso. Os 4,1 milhões de alunos inscritos devem aguardar a nova data da prova.
O governo estima que em até 45 dias conseguirá imprimir e distribuir as novas provas. O prejuízo está estimado em cerca de R$ 35 milhões, preço da nova impressão das provas.
Haddad, que pediu à PF para instaurar inquérito criminal, disse acreditar que o vazamento ocorreu na etapa de impressão da prova, realizada na gráfica Plural, em São Paulo. Ele recebeu a denúncia por repórteres do jornal ¿O Estado de S.Paulo¿, que horas antes tinham sido procurados por dois homens que tentaram vender uma cópia da prova por R$ 500 mil.
Acionados pelo ministro, funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) confirmaram que trechos do documento correspondiam às questões selecionadas, depois de checar uma cópia do exame, que é mantida no cofre do órgão.
¿ Não sabemos quantas provas foram furtadas. Não havia a menor segurança para garantir que a prova não estava sendo disseminada ¿ disse Haddad ¿ Felizmente, isso ocorreu antes de a prova ser aplicada, senão teríamos que cancelar a prova e o prejuízo seria muito maior ¿ disse Haddad, em rede de rádio e TV ontem.
Para o ministro, os alunos não serão prejudicados e a grande maioria reagiu com alívio e não com frustração, por ganhar prazo extra para estudar.
Inscrições e locais das provas serão mantidos. Segundo Haddad, há uma folga no cronograma do Enem que, aliada à aceleração no prazo de correção das provas, poderá recuperar o atraso, estimado em 40 a 45 dias. O atraso afeta o calendário das universidades federais que utilizarão a nota em seus processos seletivos.
A pedido do MEC, a PF de São Paulo instaurou um inquérito para apurar o caso. O MEC aposta no rastreamento dos dois homens que tentaram vender a prova, sob alegação de que funcionários do Inep não estariam envolvidos. O ministro classificou o episódio de anômalo: ¿ Um criminoso pode dizer qualquer coisa. O Inep não possui cópia impressa da prova.
¿Não existe sistema de segurança infalível¿ A sala de segurança do órgão, onde ficava guardada uma cópia digital da prova, foi lacrada e aguarda vistoria dA PF. Funcionários do Inep foram a São Paulo para auxiliar na investigação.
Além do novo formato, que permitirá acesso a várias universidades federais neste ano, o Enem 2009 foi organizado por uma nova empresa. O Consórcio Connase, formado pelas empresas Consultec (BA), Funrio (RJ) e Cetro (SP), foi o único a apresentar proposta na disputa. A Fundação Cesgranrio, empresa que administrou o Enem nos últimos anos, foi habilitada mas desistiu de participar. O custo estimado era de R$ 148 milhões (R$ 24,67 por aluno). O Connase apresentou preço de R$ 116,9 milhões (R$ 19,49 por aluno).
Por contrato, cabe à empresa garantir a segurança e sigilo das informações, especialmente na gráfica e na distribuição para 1828 municípios em todo o país.
¿ Não existe sistema de segurança totalmente infalível ¿ alegou Reynaldo Fernandes, presidente do Inep.
Segundo ele, a diagramação da prova foi feita no Inep, em Brasília. Há cerca de um mês, o disquete foi levado para São Paulo e entregue na gráfica Plural, subcontratada pelo consórcio.
Vários lotes já haviam sido despachados para Norte e Nordeste.
A montagem dos kits (envelopes com os materiais individuais) foi feita no Rio, exceto para as provas que serão aplicadas em São Paulo, que seriam montadas no próprio estado, em local fora da gráfica.
O ministério fez ontem à noite uma reunião com os representantes do Connase para apurar responsabilidades e definir o plano de trabalho alternativo.
Haddad não descartou a possibilidade de afastar o consórcio e fazer um contrato emergencial.
Ontem à noite, o Inep colocou em seu site na internet a versão da prova para consulta