Título: A mobilidade tem custo alto
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 06/10/2009, Economia, p. 20

BRASÍLIA. Ao contrário do que concluiu o Pnud, a socióloga Sueli Siqueira, especialista em imigração da Universidade Vale do Rio Doce, não considera que emigrar melhore o desenvolvimento humano.

Segundo Sueli, o fenômeno apenas aumenta a renda dos trabalhadores.

O GLOBO: Para onde vão os emigrantes do Brasil? SUELI SIQUEIRA: O destino principal são os EUA e a Europa mais recentemente.

Até o início do século XX, o Brasil era uma país de imigração. Mas, a partir da década de 60, tornou-se um país de emigração.

O boom foi na metade da década de 80, após a crise financeira. Começou em Minas Gerais, em Governador Valadares, e no Sul, em Criciúma. Depois se espalhou.

Qual o perfil do emigrante brasileiro? SIQUEIRA: Classe média, fugindo da crise. Emigrar era uma forma de garantir o status econômico ou melhorá-lo. Ainda que o trabalho que fosse fazer no exterior fosse desqualificado, o projeto era ir, ganhar dinheiro, voltar e ascender, comprando uma casa ou abrindo seu próprio negócio.

Eram pessoas entre 20 e 35 anos. Primeiro, iam mais homens.

O Pnud diz que a migração melhora o desenvolvimento humano. SIQUEIRA: A situação financeira das pessoas melhora.

Mas a mobilidade tem um custo muito alto: desestruturação familiar, desvalorização do local de origem e sobrevalorização do destino. Muitas vezes, as pessoas vivem em guetos, sem acesso a vários serviços. Às vezes, sequer aprendem a língua. (Vivian Oswald)