Título: Crise jogará 90 milhões na extrema pobreza
Autor: Berlinck, Deborah
Fonte: O Globo, 06/10/2009, Economia, p. 21

Previsão é do Bird. França e Reino Unido resistem a injeção de até US$ 5 bilhões

ISTAMBUL. A crise econômica global pode deixar 90 milhões de pessoas na pobreza extrema em países em desenvolvimento, disse ontem o Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial.

Para evitar que os efeitos da turbulência internacional sejam ainda mais perversos, a instituição aproveitou sua reunião anual em Istambul para pedir a seus acionistas uma nova injeção de capital. O valor sugerido ficou entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões e é apontado pelo banco como necessário para manter o nível de crédito concedido aos países em desenvolvimento nos últimos meses.

¿ Quando chegarmos ao meio do ano que vem, vamos começar a enfrentar alguns constrangimentos sérios e teremos que racionar ¿ disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, segundo o jornal ¿Financial Times¿.

Os empréstimos direcionados às nações em desenvolvimento atingiram US$ 33 bilhões no ano fiscal encerrado em 30 de junho e fazem parte do pacote de crédito de US$ 100 bilhões que serão concedidos em três anos, com o objetivo de amenizar os efeitos negativos da crise. De acordo com Zoellick, a incerteza sobre a capacidade financeira do banco já está afetando os projetos da instituição para os países em desenvolvimento.

O pedido de compromisso com ajuda financeira, porém, não foi bem recebido pelos principais doadores. A França e o Reino Unido questionaram sua necessidade. A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, disse que o Banco Mundial ¿tem recursos substanciais à disposição para assistir seus membros, recursos que estão longe de se esgotar¿.

O ministro de Desenvolvimento britânico, Douglas Alexander, por sua vez, acusou o banco de não desembolsar as quantias previstas para os países pobres com rapidez suficiente. Ele não descartou apoio ao aumento de capital, mas disse que seu país gostaria de estudar alternativas.

Tesouro dos EUA condiciona ajuda à maior transparência O secretário do Tesouro dos EUA, Tim Geithner, que também estava presente no encontro, adotou um tom moderado. Não negou a ajuda ¿ os EUA são o principal doador do Banco Mundial ¿, mas a condicionou à maior transparência do banco e às reformas por que deverá participar a instituição.

¿ Devemos confiar plenamente que é necessário capital adicional para os bancos multilaterais e de desenvolvimento e que qualquer novo recurso seja administrado bem e usado efetivamente.

As nações em desenvolvimento foram unânimes em apoiar o aumento de capital, segundo o ¿FT¿. O ministro das Finanças da Índia, Pranab Mukherjee, resumiu a posição do grupo.

¿ O mínimo que podemos fazer neste estágio é concordar com o apoio ao aumento de capital ¿ disse.

O comunicado do Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial foi vago. Disse que os ministros se comprometeram a ¿assegurar que o Banco Mundial tem recursos suficientes para enfrentar os futuros desafios do desenvolvimento¿. Também ficou acordado que, até meados de 2010, os membros do banco vão estabelecer suas necessidades futuras de capital