Título: Mais voto a emergentes também no Banco Mundial
Autor: Berlinck, Deborah
Fonte: O Globo, 06/10/2009, Economia, p. 21
Bird formaliza proposta de transferir ao menos 3% do total hoje das nações ricas. Brasil oficializa aporte de US$ 10 bi no FMI
ISTAMBUL. No dia em que o Brasil oficializou a intenção de comprar US$ 10 bilhões de bônus do Fundo Monetário Internacional (FMI) ¿ o que o tornará, pela primeira vez, um credor do Fundo ¿, o Banco Mundial formalizou ontem em Istambul a ideia de transferir para os países emergentes ¿pelo menos 3%¿ dos votos das nações ricas na instituição, até o ano que vem. O aumento havia sido decidido pelos líderes do G-20 (grupo que reúne ricos e emergentes), em Pittsburgh, nos EUA, mês passado.
Isso representa o início de uma virada histórica no Banco, que tem 186 países-membros, mas é dominado desde sua criação por americanos e europeus. Anteontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou a transferência de ¿pelo menos 5%¿ do votos dos ricos para os emergentes.
Agora, resta o trabalho mais duro: negociar como fazer isso. Países em desenvolvimento reunidos em Istambul para o encontro anual do FMI e do Banco Mundial deixaram claro que, embora a transferência de poder para os emergentes marque uma mudança, isso não é suficiente.
Em Pittsburgh, o G-20 estabeleceu ¿pelo menos 5%¿ de transferência no FMI e 3% no Banco Mundial.
Zoellick defende metade dos votos para emergentes Mas Brasil, Rússia, Índia e China ¿ os chamados Brics ¿ insistem que emergentes vão continuar sub-representados com transferências e querem 7% para o FMI e 6% para o Banco Mundial. Num contraste com o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que praticamente fechou a porta para esta reivindicação, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, foi mais aberto: ele defende que a fatia dos emergentes no poder de decisão do banco chegue a 50% (com os 3% decididos pelo G20, ficaria em 47%): ¿ O compromisso (em Pittsburgh) foi de ¿pelo menos 3%¿ e eles (Brics) enfatizaram a importância de ir acima disso.
E, como você vê, todo mundo está buscando ser equilibrado, o que significa 50%50% . Na minha opinião, temos que ser ambiciosos ¿ disse.
Já Strauss-Kahn argumenta que, se os ¿pelo menos 5%¿ forem somados aos 2,7% de transferência nos votos que os emergentes obtiveram no FMI em 2008 (e que ainda está sendo implementado), eles vão ter mais do que estão pedindo.
FMI terá até cinco anos para pagar aporte do Brasil Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, entregou a Strauss-Khan uma nota comprometendose a comprar US$ 10 bilhões em bônus do FMI. O contrato é parecido com o da China, que colocou US$ 50 bilhões no FMI. O Fundo vai pagar o aporte de recursos nas mesmas condições dos países pagadores, num prazo que pode chegar a cinco anos.
A compra do bônus será feita em Direitos Especiais de Saque (DES) ¿ a moeda do FMI, com juros que são uma média das taxas de curto prazo das quatro moedas que compõem o DES: dólar, euro, iene e libra. Hoje, a taxa é de 0,25% ao ano.
¿ Futuramente teremos mais moedas (no DES)¿o real, o yuan ¿ disse Mantega.
Com o Brasil, completam-se os US$ 80 bilhões que os Brics se comprometeram a injetar no FMI