Título: Líder do MST minimiza vandalismo e diz que ação foi um bem para a humanidade
Autor: Freire, Flávio
Fonte: O Globo, 08/10/2009, O País, p. 3

Parlamentares se beneficiam com doações da Cutrale", insinua outro dirigente

RECIFE e SÃO PAULO. O coordenador regional do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, disse ontem que as ações do movimento na Fazenda Cutrale, em São Paulo, são atos de defesa do patrimônio da União e representam "um bem para a humanidade". E afirmou que o MST vai continuar "na ofensiva" para mostrar que o Brasil precisa "resolver o problema da reforma agrária".

Ele minimizou os atos de vandalismo e afirmou que o que o MST está pedindo é pouco diante dos problemas provocados pela empresa:

- A Cutrale ocupa cerca de 30 mil hectares de terras devolutas, e isso pode ser chamado de grilagem. O MST só exige 2.500 hectares de toda essa área - afirmou ele, um dos dirigentes nacionais do movimento. - Por uma questão lógica, toda monocultura é prejudicial ao meio ambiente, porque degrada o solo, prejudica a natureza. Não importa se é eucalipto, cana, soja ou o milhão de pés de laranja da Cutrale. Os companheiros estão tentando produzir outras culturas para o bem da humanidade.

Amorim disse duvidar que sete mil pés de laranja tenham sido destruídos, e atacou a imprensa:

- O poder midiático contra nós é muito grande. Está sendo feito um levantamento para sabermos o que foi destruído. Não se carrega um trator como um saco de feijão - disse Amorim, reagindo ainda às declarações do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e do presidente do Incra, Rolf Hackbart, que condenaram o vandalismo do MST: - Provavelmente, eles falaram influenciados pelo que viram na imprensa, com imagens tendenciosas. Eles teriam que ter chamado o movimento para que desse suas explicações.

Coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro criticou os parlamentares da bancada ruralista que querem ressuscitar uma CPI para investigar o movimento. Mauro disse que políticos que sobem à tribuna para defender a Cutrale teriam sido beneficiados pela empresa com doações de campanha.

"É patético ver alguns senadores(as), deputados(as) e outros tantos "ilustres" se revezarem nos microfones em defesa das laranjas da Cutrale. Muitos destes, possivelmente, já foram beneficiados com os "sucos" da empresa para suas campanhas, ou estão de olho para obter "vitaminas" no próximo pleito", disse, em nota.

E defendeu a destruição dos pés de laranja: "Passar por cima das laranjas é passar por cima do grilo e da corrupção que mantém esta situação há tanto tempo", disse o líder do MST, que acusa a empresa de ter se apropriado de uma área da União.

COLABOROU: Flávio Freire