Título: Estreia do Santander na Bolsa de SP decepciona: papéis recuam 3,74%
Autor: Rangel, Juliana; D'Ercole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 08/10/2009, Economia, p. 24
Negócios movimentaram R$1,93 bi. Banco é agora 5ª maior empresa do país
RIO, SÃO PAULO, BRASÍLIA e NOVA YORK. A tão esperada estreia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) das units (grupos de ações) do Santander acabou decepcionando os investidores. Os papéis, cujo preço foi fixado em R$23,50, recuaram 3,74% e terminaram o dia a R$22,62, depois de movimentarem R$1,93 bilhão. Ainda assim, foi a maior oferta pública do ano no mundo: somou R$14,1 bilhões, considerando o lote suplementar. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou em queda de 0,05%, aos 62.638 pontos.
A demanda de investidores por ações do Santander foi três vezes superior à oferta. O papel saiu a R$23,50, no centro da estimativa dos coordenadores, entre R$22 e R$25. Segundo a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), os pedidos de reserva de até R$3 mil foram integralmente atendidos para investidores de varejo. Acima disso, houve rateio: os interessados conseguiram comprar 8,14% do que desejavam. Ou seja, se o investidor pediu R$100 mil, levou R$3 mil mais 8,14% de R$97 mil, ou R$7.895,80 - R$10.895,80 no total. Já os pedidos de correntistas e funcionários foram totalmente atendidos.
De acordo com o gestor de renda variável da SLW, Felipe Viana, um fator a colaborar para a queda dos papéis foi o fato de muitos dos pedidos institucionais serem atendidos numa proporção acima do esperado.
- Alguns pediram valores bem mais altos do que desejavam, esperando que fossem apenas parcialmente atendidos. Acabaram levando uma quantia maior que a esperada e venderam o excedente no mercado, o que derrubou as ações.
Com a oferta, o Santander tornou-se a quinta maior empresa do Brasil em valor de mercado, segundo estudo da Economática. O banco passou a valer R$95,7 bilhões, superando o Banco do Brasil em 22,5%. Mas ainda vale 4,6% menos que o Bradesco. O Itaú-Unibanco continua à frente, com R$147 bilhões.
A oferta também marcou a estreia das ADRs (recibos de ações negociados nos Estados Unidos) do Santander Brasil na Bolsa de Nova York. Hoje, 31 companhias brasileiras estão listadas lá, com capitalização de mercado global de US$443 bilhões em 30 de setembro. Incluindo o Santander Brasil, a capitalização de mercado total das empresas brasileiras listadas em Nova York vai a cerca de US$500 bilhões, informou o banco. Ontem, as ADRs caíram 2,91%.
- Não poderia haver para o Santander Brasil melhor momento para fazer sua oferta de ações. O país emerge da pior crise dos últimos 80 anos ainda mais fortalecido - disse Fábio Barbosa, presidente do banco no país, ao lançar os papéis ontem no antigo pregão da Bovespa.
Dólar sobe 0,23%, e ouro tem novo recorde: US$1.044,40
Enquanto falava, Barbosa, também presidente da Febraban, que representa o setor, era alvo de críticas de dirigentes do Sindicato dos Bancários, que, em um potente sistema de som em frente à Bolsa, discursavam contra sua postura nas negociações com a categoria, em greve há duas semanas.
Ontem, o dólar avançou 0,23%, a R$1,756, depois de três dias consecutivos em queda. Mas o recuo do dólar frente a outras moedas levou o ouro a mais um recorde. A onça-troy (31,1g) fechou ontem em alta de 0,5%, a US$1.044,40, tendo atingido US$1.049,70 durante o pregão. Analistas esperam que passe de US$1.050 esta semana. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 0,06%. O S&P500 ganhou 0,27%, e Nasdaq, 0,32%.
Com a atuação cada vez mais forte dos investidores estrangeiros, o fluxo cambial - entrada e saída de moeda estrangeira do país - fechou setembro positivo em US$1,365 bilhão, e nos dois primeiros dias de outubro já registrava entrada líquida de US$1,424 bilhão, segundo o Banco Central. A conta financeira - por onde passam as transações feitas com ações, títulos e investimentos estrangeiros diretos - fechou o mês passado positiva em US$4,590 bilhões, o melhor resultado desde julho de 2007 (US$6,095 bilhões).