Título: Em 3 anos, PAC só avançou metade do previsto
Autor: Paul, Gustavo; Barbosa, Flávia
Fonte: O Globo, 09/10/2009, Economia, p. 27

Desde o lançamento, em janeiro de 2007, foram gastos R$ 338,4 bilhões, o que corresponde a 53,6% do planejado

BRASÍLIA. O governo anunciou ontem um novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado às Olimpíadas de 2016, mas mal consegue tocar o PAC original, lançado em janeiro de 2007 e tem cronograma até o fim de 2010. De acordo com os dados do 8oBalanço do PAC, pouco mais da metade do orçamento foi efetivamente realizado nestes três anos. Segundo a Casa Civil, foram gastos R$ 338,4 bilhões desde 2007, ou 53,6% do total da despesa prevista.

Sob o ponto de vista das ações concretas nas áreas de energia, transportes, urbanização e saneamento (excluído o financiamento habitacional), foram pagos apenas 22% dos R$ 432,4 bilhões esperados no período 2007-2010.

Pela primeira vez nos balanços quadrimestrais do programa, o governo revelou a origem dos recursos gastos desde o lançamento. A maior parte do dinheiro vem de programas de financiamento para pessoas físicas, em obras de habitação e saneamento: 33% (R$ 113,8 bilhões).

Nesse montante estão verbas do FGTS e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que usa recursos da poupança. Outra parcela tem origem no caixa das estatais, que alocaram R$ 107,1 bilhões no PAC, ou 31% do total.

A parcela que sai dos cofres do Tesouro representa apenas 8,3% (R$ 28,2 bilhões).

Já o setor privado responde por 24% (R$ 83,6 bilhões) do total gasto em três anos. Por isso, a ministra assinalou como importante o crédito para tornar as obras realidade. Segundo a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, 60% do desembolso vêm de financiamentos para empresas privadas e para pessoas físicas. Com esse argumento, a ministra destacou o fato de se ter conseguido gastar 53% em três anos: ¿ Sabemos da dificuldade que se tinha na obtenção de crédito de longo prazo. Sem crédito de longo prazo, o PAC não se sustenta, porque o Estado não executa nada. Quem executa são as empresas privadas, que necessitam de uma estrutura de financiamento.

Dilma destaca projetos criados na esteira do PAC

Em relação ao número de obras concluídas, o governo diz que 32,9% delas, em valores, foram concluídas ¿ o que representa R$ 208,9 bilhões em investimentos.

Mas nesse total foram incluídos R$ 113 bilhões de financiamentos habitacionais, ou seja, projetos que ainda ficarão prontos no futuro. Em relação às obras efetivamente concluídas, os valores caem para menos de um quarto do total: R$ 37,5 bilhões em logística e transporte e R$ 54,5 bilhões em Energia.

Pré-candidata à Presidência da República em 2010, Dilma já tinha pronto o discurso para justificar o fato ¿ provável ¿ de que não conseguirá completar todo o programa até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma lançou mão do termo ¿fiasco¿ para responder qual seria o resultado do PAC ao fim do governo.

¿ Li um artigo que diz que o uso da palavra fiasco indiscriminadamente faz com que conquistas muito difíceis para o país fossem tratadas de uma forma que não dessem o devido valor a essas conquistas ¿ disse Dilma, destacando a criação de projetos na esteira do PAC.

¿ Não vou ser modesta. Posso dizer que nossa situação está 500% melhor do que quando começamos o PAC.