Título: Al Gore elogia posição brasileira
Autor: Alencastro, Catarina; Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 14/10/2009, Ciência, p. 28

Para ambientalista, país pode assumir liderança mundial

SÃO PAULO. O ex-vice-presidente dos EUA e Nobel da Paz em 2007, Al Gore, elogiou ontem as propostas iniciais que o governo brasileiro pretende apresentar na conferência de Copenhague (COP-15), em dezembro, mas frisou que soube das pressões contrárias às medidas e avaliou que o país terá como desafio a aplicação prática de seu projeto. O senador ambientalista lembrou que seu país tem muito mais problemas, mas considerou que o Brasil também deve colaborar com a acordo global para se firmar como liderança.

¿ Eu gostaria que fosse possível que meu país aprovasse uma redução muito maior, mas a nossa realidade política mostra que será difícil chegar a 4,5% ou 6,5%.

Mas o mais importante é começar o processo de redução. Depois isso vai avançar ¿ disse Al Gore, durante palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Para Gore, vender a Floresta Amazônica pelo preço da madeira é a mesma coisa que vender um chip de computador pelo preço do silício. Gore pediu desculpas por falar de problemas brasileiros quando seu país, juntamente com a China, é um dos maiores emissores de CO2 do mundo. Ele disse que o combate às causas das mudanças climáticas é um desafio moral para as novas gerações.

Diante de uma plateia de empresários e banqueiros, o senador americano elogiou a matriz energética brasileira, em especial a indústria do álcool, que, segundo ele, alcançou o maior índice de rendimento na produção de etanol em todo o mundo.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, entregou a Gore o documento ¿Mudanças Climáticas: o Valor das Convergências¿, sobre as medidas para reduzir as causas das mudanças climáticas. O documento defende o uso de fontes limpas de energia, mas argumenta que o país não pode assumir compromissos que prejudiquem sua economia