Título: Aécio cobra Cide
Autor: Rocha, Marcelo; Maakaroun, Bertha
Fonte: Correio Braziliense, 22/05/2009, Política, p. 6

O governador de Minas Gerais (PSDB), Aécio Neves, cobrou do governo federal o repasse da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que deixou de ser transferido aos estados por conta de artifício contábil utilizado pela Petrobras para pagar menos imposto. Pelas contas do governador, a petrolífera não injetou nos cofres públicos R$ 1 bilhão, sendo que R$ 300 milhões são de estados e municípios.

Em reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, Aécio Neves ainda disse que a empresa precisa desfazer a operação e ressarcir os estados e municípios lesados e que isso depende apenas de decisão do governo e do comando da Petrobras. Além disso, o governador mineiro solicitou o repasse integral dos recursos da Cide.

Em maio do ano passado, por conta da disparada do preço do petróleo (que atingiu US$ 140) e de pressões inflacionárias, os entes públicos aceitaram a redução de 40% nos repasses da Cide. ¿As circunstâncias que levaram ao corte de 40% não existem mais. Queremos o reestabelecimento do valor integral e superação da questão contábil da Petrobras¿, frisou o governador mineiro.

¿Nós acreditamos que isso (solução contábil da Petrobras) pode ser feito rapidamente pelo comando da empresa e por decisão de governo. Continuaremos acompanhando e cobrando¿, disse Neves, acrescentando que a CPI da Petrobras vai exigir explicações sobre o caso.

Apesar de não concordar com o artifício contábil da Petrobras, Neves destacou que se a companhia quer abater crédito para não pagar imposto, que faça a dedução sobre tributos federais para que estados e municípios não sejam prejudicados. ¿São recursos para as rodovias brasileiras que não podem deixar de ser transferidos de uma hora para outra por um artifício contábil que traga prejuízo para estradas, da execução do orçamento¿, contou.

O governador aproveitou para realizar visitas de cortesia no Congresso. Conversou com lideranças do DEM e sugeriu realizar um ato em comemoração aos 25 anos da Frente Liberal, um dos movimentos responsáveis pela eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral em 1985. Depois passou pelo gabinete da Presidência da Câmara para encontro com Michel Temer (PMDB-SP). O giro foi finalizado em um encontro reservado com o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

O governador voltou a dizer que não existe a menor hipótese de uma chapa puro sangue dentro do PSDB para concorrer à Presidência em 2010. Ele classificou de ¿leviano e irresponsável¿ um suposto acordo em que aceitaria ser vice do governador de São Paulo, José Serra. ¿As prévias vão ocorrer. Não tem o menor sentido uma chapa puro sangue¿, disse. Ele voltou a afirmar que o PSDB estará unido na eleição. ¿O Serra é meu companheiro e estaremos juntos.¿