Título: Especialistas veem pouco efeito na medida
Autor: Rodrigues, Lino; Beck, Martha
Fonte: O Globo, 20/10/2009, Economia, p. 21

Até mesmo quem é a favor da taxação acredita que dólar continuará em queda

Há quem apoie a medida e há os que são contra. Mas os analistas são praticamente unânimes em afirmar que a taxação de 2% sobre a entrada de capital estrangeiro para renda fixa (títulos públicos ou privados) e variável (aplicação em Bolsa) terá efeito reduzido ou por pouco tempo para deter a queda livre do dólar. O professor da USP Fabio Kanzuc é contra a taxação. Acha que o câmbio deve flutuar conforme a entrada e saída de capital.

Porém, considerou baixa a alíquota de 2%: ¿ Os leilões de compra do Banco Central não funcionam. Essa taxação é o que funciona, mas a alíquota é baixa. Vai deter um pouco a queda do dólar e não prejudicará a entrada de investimento para o desenvolvimento do país.

José Alfredo Lamy, sócio da Cenário Investimentos, também não concorda com a taxação e acredita que o efeito será somente a curto prazo.

¿ A queda do dólar faz parte de um movimento global, ligada ao juro zero nos EUA. O dólar está perdendo valor frente a todas as moedas do mundo. O real, especialmente, sobe devido ao nosso perfil exportador de commodities.

Para ele, a medida é ineficaz para segurar a cotação do dólar. A taxação, na opinião de Lamy, apenas arranha a imagem do Brasil para os investidores.

¿ E não faz sentido taxar um investimento que já é variável, como a Bolsa, que pode desvalorizar.

Da última vez que o governo taxou com IOF os investimentos estrangeiros limitou-se às aplicações em renda fixa. Gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel considerou acertada a medida, ¿porém tardia¿. Ele também avalia que o efeito na cotação do dólar será apenas a curto prazo.

¿ A Taxa Selic (juros básicos do país, hoje em 8,75% ao ano), descontando a inflação, é ainda bastante atraente, mesmo com a taxação. Mas a medida é certa, já que o investidor brasileiro paga imposto. É uma questão de isonomia.

Para o professor da PUC-SP Antonio Corrêa de Lacerda, a taxação é ¿um paliativo necessário¿. Não impedirá sozinha a queda do dólar, ¿mas é melhor do que nada¿.

¿ O país terá que aprender com uma nova realidade.

Sempre convivemos com a escassez de dólares.

O desafio é conviver com abundância. A medida não vai prejudicar o fluxo de longo prazo e o de curto prazo terá um empecilho a mais.