Título: IOF: surpresa para Receita e Tesouro
Autor: Frisch, Felipe; Beck, Martha
Fonte: O Globo, 22/10/2009, Economia, p. 25
BRASÍLIA. A decisão do governo de tributar a entrada de capital estrangeiro atropelou a Receita e o Tesouro, que não puderam debater o tema e manifestar sua oposição. Os técnicos da Fazenda sabiam da preocupação do ministro Guido Mantega com a forte valorização do real frente ao dólar e também dos estudos que estavam em sua mesa. Mas, como não havia consenso sobre o que fazer, foi um choque saber que a proposta da taxação foi levada ao presidente Lula por Mantega e aprovada tão depressa.
Os técnicos da pasta afirmam que o ministro foi muito influenciado pelas pressões do empresariado em São Paulo, com quem se reunia com frequência, e acabou tomando a decisão sozinho. Os seis técnicos do Fisco encarregados de explicar a medida aos jornalistas admitiram não ter participado do processo.
A medida também foi recebida com ressalvas pelo Tesouro, que sempre foi contra esse tipo de tributação.
No ministério, a medida enfrenta resistências.
Acredita-se que, para beneficiar os 25% da indústria que sofrem com o câmbio, segundo dados do gabinete, puniram-se os outros 75% ao diminuir a competitividade da Bolsa e das aplicações em renda fixa frente a outros países.
Já o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, divulgou nota ontem negando ter sido alijado das discussões sobre o IOF, conforme informações divulgadas em alguns jornais ontem.
Além disso, ele reforçou que não haverá alteração no regime de câmbio flutuante.
(Vivian Oswald)