Título: Presidente do STF pede mudança na legislação
Autor: Weber, Demétrio; Franco, Bernardo Mello
Fonte: O Globo, 24/10/2009, O País, p. 8

Gilmar volta a criticar suposto uso eleitoral em viagens de Lula, e diz que responsabilidade deve ser de todos

BRASÍLIA. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse ontem que não se opõe às viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, fez novas críticas ao uso do que chamou de ¿suposta fiscalização¿ de obras como pretexto para fazer comício eleitoral fora de época.

Ele voltou a falar do assunto depois de participar da posse do novo advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, no Itamaraty. O ministro não discursou na cerimônia, em que Lula defendeu suas viagens pelo país para vistoriar e inaugurar obras.

Em entrevista após a solenidade, Gilmar adotou um tom de ironia ao comentar as viagens, que ele mesmo chamou, na semana passada, de vale-tudo eleitoral.

¿ Eu não tenho nada cont raviagem . Ele que viaje bastante, eu não tenho nenhum problema quanto a isso.

Eu só estou dizendo é (sobre) quando se transforma eventual fiscalização ou suposta fiscalização de obra em comício ou manifestação eleitoral. Foi essa a minha observação. Eu também tenho viajado bastante e não estou em campanha eleitoral ¿ afirmou.

O ministro disse concordar com as críticas de Lula ao suposto excesso na paralisação de obras. Mas retomou o tom de ironia ao fazer uma metáfora futebolística, dizendo usar o palavreado do próprio presidente.

¿ Todos nós temos responsabilidade nessa questão.

Não é só o Judiciário, não. Eu acho que, na verdade, a maior responsabilidade hoje é de uma reforma legislativa.

Uma reforma legislativa que deve envolver legislação do Ministério Público, legislação de meio ambiente.

Portanto, na verdade, para usar um palavreado do presidente, a bola está com o Executivo e com o Legislativo ¿ disse Gilmar.