Título: Investimento externo na Bolsa é o maior desde 47
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 24/10/2009, Economia, p. 35
Ingressos somaram US$ 13 bilhões até 23 de outubro. Aplicações estrangeiras em renda fixa já são US$ 1,5 bi
BRASÍLIA. O Brasil atraiu entre os dias 1oe 23 de outubro o maior volume de recursos externos para aplicação no mercado de capitais dos últimos 62 anos, segundo dados antecipados ontem pelo Banco Central (BC). O recorde se mantém mesmo quando se comparam os números, parciais, ao desempenho dos meses fechados desde 1947. Segundo o BC, os investimentos em ações ¿ incluindo participação de estrangeiros no país e venda de certificados e depósitos de empresas brasileiras no exterior ¿ somaram US$ 13,025 bilhões. Desse total, US$ 8,761 bilhões foram registrados só no Brasil, também um indicador histórico.
Em setembro, as aplicações em ações no país já haviam avançado ante agosto, para US$ 3,981 bilhões. Os investimentos estrangeiros em renda fixa ¿ como a compra de títulos públicos ¿ também mantêm-se firmes. Até o dia 23, já estavam acumulados em US$ 1,580 bilhão.
Segundo o BC, o investimento estrangeiro direto (no setor produtivo) também segue registrando bons resultados. Até 23 de outubro, o indicador estava positivo em US$ 1,3 bilhão, devendo fechar o mês em US$ 1,7 bilhão. O BC prevê que 2009 terá US$ 25 bilhões em investimentos diretos, e US$ 38 bilhões em 2010.
O chefe do Departamento Econômico da instituição, Altamir Lopes, evitou comentar os efeitos da cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos estrangeiros.
A tributação entrou em vigor na última terça-feira e tem como objetivo evitar especulações com a moeda americana ¿ o dólar vem derretendo nos últimos três meses ¿ e a formação de bolhas (valorização artificial). Mas acabou deixando escapar sua avaliação ao ressaltar que a entrada de capital externo está relacionada ao bom momento do país: ¿ O balanço de pagamento como um todo mostra sinais bastante positivos, seja para o mercado de capitais seja para investimentos diretos (para o setor produtivo). Há também uma repetição do lançamento primário de ações (abertura de capital de empresas).
Dólar barato amplia déficit com viagem ao exterior Para Diego Donadio, analista sênior para a América Latina do BNP Paribas, os fundamentos sólidos da economia nacional e o fato de o país ter conquistado o grau de investimento (nota dada por agências de classificação de risco a países em que é seguro investir) são atrativos para o capital estrangeiro: ¿ Há também o efeito da liquidez internacional, que tem feito com que o dólar perca valor globalmente, principalmente nos países emergentes.
Com o dólar barato impulsionando as importações e as viagens de brasileiros ao exterior, a conta corrente do Brasil fechou setembro com déficit de US$ 2,311 bilhões ¿ quase o triplo de agosto (US$ 821 milhões). O resultado superou a previsão do BC, que era de US$ 900 milhões negativos. Entre janeiro e setembro, a conta registra déficit de US$ 11,876 bilhões.
O déficit em setembro foi influenciado basicamente pela balança comercial, que reduziu o superávit para US$ 1,329 bilhão, ante US$ 3,059 bilhões em agosto.
Em setembro, o saldo das viagens internacionais ficou deficitário em US$ 652 milhões, contra US$ 460 milhões em agosto.
Até 23 de outubro está negativo em US$ 550 milhões.