Título: As propostas de cada país
Autor: Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 05/11/2009, Ciência, p. 38
ESTADOS UNIDOS: O Senado americano não aprovou até agora a lei de mudanças climáticas. Assim o Governo Obama deve chegar a Copenhague sem metas concretas. A proposta no Congresso tem sofrido críticas e estima corte de 17% das emissões em 2020, em relação a 2005. Para o Greenpeace, este índice equivale a 0% de diminuição em relação a 1990 (ano do Protocolo de Kioto), ou seja, quase nada. Os EUA são, historicamente, os maiores emissores do planeta. Sem sua adesão, não há acordo efetivo.
CHINA: No país apontado como o maior emissor de gases-estufa da atualidade, com uma economia fortemente baseada na queima de combustível fóssil, as emissões aumentam 5% ao ano. O governo chinês tem metas internas, entre as quais a que destina destina 35% dos recursos do pacote de estímulo à economia para ações de baixo carbono, além de ampliar em 15% o uso de energias renováveis nas próximas duas décadas. Mas a China dificilmente se comprometerá internacionalmente com metas de redução. Na conferência, o país vai defender que os países ricos cortem em 40% suas emissões. O governo chinês também não quer que o Protocolo de Kioto seja substituído por um novo acordo que determine obrigação de corte por parte de nações emergentes.
ÍNDIA: O governo indiano deve chegar a Copenhague com um plano semelhante ao chinês. Isto significa evitar que as nações em desenvolvimento sejam obrigadas a fazer reduções e a ter metas controladas pela comunidade internacional. Os indianos aceitam no máximo desacelerar o ritmo das emissões de CO2. Eles alegam que suas emissões per capita são de apenas uma tonelada, contra 19 toneladas dos EUA. E, como está classificado como país em desenvolvimento, ainda quer créditos externos para aumentar os seus esforços no controle das mudanças climáticas. O governo se reuniu com a China e deve se associar a outros sete países do sul do continente para levar uma proposta em comum.
UNIÃO EUROPEIA: O bloco de 27 de países atua em conjunto. A UE propõe reduzir em 20% suas emissões nas próximas duas décadas unilateralmente. Mas este índice pode chegar a 30%, se outras nações fizerem o mesmo. E há ainda uma outra proposta de maior impacto, que seria a redução em 95% em 40 anos. Isso se em Copenhague for estabelecido um novo tratado. Poucos ambientalistas acreditam nisso. Até porque os representantes de cada país nem chegaram a um acordo final para o bloco, principalmente quanto aos recursos para atenuar as mudanças climáticas.
BRASIL: Os representantes brasileiros ainda não decidiram quais metas concretas serão apresentadas nas negociações em Copenhague. O único consenso, por enquanto, é a redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020.