Título: Para brasileiro, batismo de fogo antes da hora
Autor: Martins, Marília
Fonte: O Globo, 06/11/2009, O Mundo, p. 24

Reservista chegou à base de manhã e ficou isolado num dos prédios, com outros militares

Ângela Góes dos Santos

O reservista Francisco Lago, de 31 anos, chegou a Fort Hood por volta das 9h. Era o primeiro dia de um treinamento de duas semanas de duração que o brasileiro, que serviu o Exército americano por seis anos, faria na maior base militar dos EUA.

¿ Por volta de 13h, fomos alertados de que havia um tiroteio em um dos prédios do quartel ¿ contou por telefone ao GLOBO, ontem à noite. ¿ Fort Hood foi imediatamente fechada e nós fomos isolados até que fossem esclarecidas as circunstâncias do ataque. Neste momento, estamos presos na base. Ninguém entra, ninguém sai.

O brasileiro, que mora nos EUA desde os 10 anos e lutou na Guerra do Iraque em 2003 e 2004, disse ter ficado bastante surpreso com a audácia do ataque.

¿ Você realmente não espera que algo desse tipo aconteça dentro de uma base militar. Até porque ninguém aqui tem permissão para andar armado. Todos são revistados e desarmados na entrada ¿ explicou o reservista, para quem a motivação do ataque é uma incógnita.

¿ Sabemos que os atiradores eram soldados e que um dos 12 mortos era um policial. Mas ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Na verdade, estamos sendo abastecidos de informações pelos nossos familiares, que ligam a todo momento para saber se estamos bem.