Título: ONU retira funcionários do Afeganistão
Autor: Martins, Marília
Fonte: O Globo, 06/11/2009, O Mundo, p. 24

General da Otan critica a transferência de 600 estrangeiros por falta de segurança

CABUL. As Nações Unidas vão retirar mais da metade de seus funcionários estrangeiros do Afeganistão ou deslocá-los para áreas mais seguras no país devido à violência. A medida é uma consequência de um atentado talibã a uma hospedaria em Cabul que matou cinco funcionários estrangeiros da organização no dia 28 ¿ o ataque mais letal no país à organização desde o início da guerra, em 2001.

Cerca de 600 funcionários não essenciais serão deslocados, anunciou o líder da missão das Nações Unidas no Afeganistão, Kai Eide. Ele advertiu o presidente reeleito, Hamid Karzai, de que o governo deve erradicar a corrupção e iniciar reformas ou correrá o risco de perder o apoio internacional.

¿ Há uma crença de que o compromisso internacional com o Afeganistão continuará, aconteça o que acontecer, devido à importância estratégica do país ¿ observou Eide. ¿ Isso não é correto. É a opinião pública nos países financiadores que decide a força desse compromisso.

Situação para funcionários da ONU piorou desde o ano passado

Eide disse que a ONU ¿é um alvo para rebeldes¿. Em entrevista à BBC, ele afirmou que a situação dos funcionários no país se tornou muito mais complexa desde 2008.

Segundo a ONU, os funcionários retornarão quando melhorar a segurança nas áreas usadas pela organização. As Nações Unidas afirmaram que a transferência não afetará serviços como a distribuição de ajuda, já nas mãos de funcionários locais. Mas, na Otan, o comandante alemão Egons Rammas criticou a decisão, dizendo que assim ¿a ONU não conseguirá cumprir seu compromisso¿. A retirada havia começado de forma discreta nos últimos dias.

A maioria dos funcionários deve ser deslocada para Dubai e países da Ásia Central. A esperança é de que possam retornar em um mês, após as instalações da ONU serem reforçadas. A organização afirmou que não está reduzindo sua presença, pois, além dos 1.300 funcionários estrangeiros, conta com 4.500 afegãos.

¿ Não estamos saindo do país ¿ disse Kai Eide. ¿ Não estamos falando em evacuação.

A decisão complica a estratégia do presidente dos EUA, Barack Obama, para a região. Obama deve decidir nas próximas semanas sobre o envio de milhares de soldados ao país.

Segundo moradores, um ataque com foguetes das forças internacionais na noite de quarta-feira matou nove civis, incluindo três crianças, na província de Helmand. De acordo com a Otan, o alvo do ataque era um grupo de pessoas que estariam colocando uma bomba. A organização vai investigar o caso.